Irã acusa EUA de barrar ingressos de torcedores antes da Copa do Mundo

    Entidade cobra neutralidade da Fifa e questiona influência política no torneio

    Foto ilustrativa: Reprodução / Fifa

    A dois dias da abertura da Copa do Mundo, a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) acusou a organização do torneio de impedir a distribuição da cota oficial de ingressos destinada aos torcedores da seleção nacional. Segundo a entidade, a medida afeta diretamente iranianos que já haviam planejado viagens para acompanhar a equipe durante a competição.

    Em nota divulgada nesta terça-feira (9), a federação informou que havia iniciado o processo de venda das entradas destinadas aos seus torcedores, mas foi comunicada de que os ingressos não poderiam mais ser disponibilizados.

    A entidade afirmou que a decisão prejudica pessoas que já haviam realizado reservas e organizado a viagem com base no procedimento inicialmente anunciado.

    Para a FFIRI, a retirada da cota destinada aos torcedores iranianos “contraria princípios de igualdade” entre as seleções participantes e levanta questionamentos sobre a influência de fatores externos ao futebol na organização do torneio.

    Federação pede neutralidade da Fifa

    Sem apontar quem teria determinado a suspensão da distribuição dos ingressos, a federação iraniana pediu uma posição da Fifa e cobrou que a entidade mantenha os princípios de neutralidade e respeito aos regulamentos da competição.

    A FFIRI também defendeu que questões políticas não interfiram na participação das seleções e de seus torcedores durante a Copa do Mundo. Até o momento, a Fifa não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações.

    Foto: Reprodução / Fifa

    Mundial tem sido cercado por impasses envolvendo o Irã

    A preparação iraniana para a Copa já vinha sendo marcada por incertezas nos últimos meses. O cenário ganhou força após o agravamento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o que gerou dúvidas sobre a logística da delegação para a disputa do torneio.

    Diante desse contexto, a federação decidiu transferir o centro de treinamento da equipe para o México, reduzindo ao mínimo a permanência da delegação em território americano.

    Além disso, a concessão de vistos para integrantes da seleção foi alvo de negociações até os dias que antecederam o Mundial. Os jogadores receberam autorização para entrada nos Estados Unidos na semana passada, mas parte dos membros da comissão técnica e da delegação não obteve a mesma liberação.

    Apesar dos entraves, a seleção iraniana confirmou presença na competição e disputará suas duas primeiras partidas do Grupo G em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica. O último compromisso da fase de grupos será diante do Egito, em Seattle.