Homem acusado de matar três mulheres, Thierry Lima da Silva, em 15 de agosto de 2025, em Ilhéus, foi absolvido após a Justiça considerar insuficiência de provas necessárias para a condenação. Com a decisão, foi revogada a prisão preventiva e reabertura das investigações para identificar a autoria do município.
O caso causou grande comoção em Ilhéus. “Eu estava o tempo inteiro buscando resposta, querendo entender”, disse a irmã de uma das vítimas.
Segundo a decisão assinada pela juíza Emanuele Vita Leite Armede, não foram encontrados vestígios de DNA do acusado nas vítimas, mas foi identificado DNA masculino de um terceiro desconhecido em uma calça de alfaiataria encontrada na cena do crime.
Também foi apontado que nenhuma faca apreendida continha sangue humano ou vínculo com o caso e que os restos de tecidos queimados recolhidos no Morro de Pernambuco pertenciam a vestimentas femininas, divergindo da suposta bermuda do acusado.
Sobre detalhes na cena do crime que convergem com a hipótese de que Thierry Lima foi o autor do crime, a Justiça considerou que eram informações comuns a pessoas que frequentavam o local.
Entenda o caso
Vítimas saíram para caminhar no dia 15 de agosto e foram encontradas mortas no dia 16 de agosto
No fim da tarde de 15 de agosto de 2025, a professora Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41 anos, sua filha Mariana Bastos da Silva, de 20 anos, a professora Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, e um pequeno cachorro saíram para caminhas na praia. O grupo não levou dinheiro e nem celulares.
No dia seguinte, os corpos das três vítimas foram localizados em uma área no fundos do AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), ao lado do cachorro amarrado a um coqueiro. Imagens da câmera de segurança do AABB registraram as mulheres passando, por volta das 17h43, no sentido sul após desaparecerem do alcance do equipamento.
Perícia conclui que mulheres foram atacadas com arma branca
Ao periciar os corpos, foi constatado que a morte das vítimas foi provocada por um instrumento perfurocortante no próprio local onde foram encontradas.
Foram encontrados pelo menos 23 ferimentos em Maria Helena, pelo menos 26 em Mariana (com lesões de defesa nas mãos e um golpe na face anterior da coxa direita) e pelo menos 38 ferimentos em Alexsandra (com lesões de defesa e múltiplos golpes na região dorsal e pescoço).
Todas morreram devido choque hemorrágico causado por lesões vasculares cervicais e viscerais.
Como Thierry Lima da Silva se tornou acusado

Thierry Lima da Silva, que vivia em situação de rua há dois anos, se tornou suspeito devido a uma série de fatos e após ser reconhecido por uma das pessoas a prestar depoimento.
Durante a investigação, foi mencionado que a área em que as vítimas foram encontradas era usado para uso de drogas e abrigava pessoas em situação de rua. A Policia Civil circulou pela região, entrevistando trabalhadores e moradores de rua, para apresentar fotografias de pessoas fichadas ou que costumavam andar pela região.
Durante uma dessas abordagens, uma mulher apontou a foto de Thierry Lima, afirmando que ele era um homem “sinistro”, que andava sozinha e portava facas.
Além disso, surgiu a informação de que o homem matou o próprio companheiro no Centro de Ilhéus e, logo em seguida, migrado para a Zona Sul da cidade, passando a frequentar exatamente as imediações da AABB. O conjunto dessas informações fez com que Thierry Lima entrasse no radar dos investigadores.
Thierry Lima admite autoria da morte do companheiro e das mulheres
Em 24 de agosto de 2025, policiais prenderam Thierry Lima em flagrante por porte de pedras de crack. O homem foi questionado pelos policiais sobre a morte do companheiro e admitiu a autoria do crime.
Já ao ser indagado sobre as três mulheres, Thierry teria contado a policiais, em conversa extraoficial e sem a presença de advogados, que matou apenas uma das mulheres e que compartas mataram as outras duas. Posteriormente, ele teria afirmado ter agido sozinho com a intenção de roubar para comprar drogas.
Além disso, antes de prestar depoimento formal, os policiais teriam mostrado a ele fotos dos corpos das vítimas e Thierry teria chorado. Às 16h54 daquele dia, o homem foi interrogado formalmente e confessou a execução do tripo homicídio.
Thierry Lima também deu detalhes práticos na cena do crime, como pallets de madeira movidos, festas com som alto no dia do crime, relatando que poupou o cachorro e o local em que uma das vítimas foi esfaqueada.
Durante o interrogatório, Thierry também afirmou que, no momento do crime, usava uma camisa preta e uma bermuda preta – sendo a bermuda a única peça manchada com sangue das vítimas. Após o crime, ele teria ido até o Morro de Pernambuco e ateado fogo nela. No local, foram encontrados tecidos pretos com fuligem.

