Publicado em 28/08/2020 às 15h51.

Afastado, Witzel desafia subprocuradora: ‘A questão agora é pessoal’

Ao se defender, gestor afirmou não existir 'um papel de prova' e atribuiu acusação a perseguição de braço direito do PGR

Redação
Foto: Carlos Magno/Fotos Públicas
Foto: Carlos Magno/Fotos Públicas

 

Afastado por seis meses do cargo de governador do Rio de Janeiro, por decisão do Superior Tribunal de Justiça, Wilson Witzel (PSC) partiu para o ataque em entrevista coletiva sobre o caso, nesta sexta-feira (28). O foco da ofensiva do político do PSC foi a subprocuradora Lindora Araújo, braço direito do procurador-geral da República, Augusto Aras.

“Quero desafiar ao MPF, na pessoa da doutora Lindora. A questão agora é pessoal”, disparou Witzel. “Ela me adjetivou como chefe da organização criminosa. Quero que ela apresente um único e-mail, telefonema, uma prova testemunhal, um pedaço de papel que eu tenha pedido qualquer tipo de vantagem ilícita para mim”.

O governador afastado afirmou que não existe “um papel” de prova contra ele.”Uma busca e apreensão, que mais uma vez, é uma busca e decepção. Não encontrou um real, uma joia”, prosseguiu. Por seu lado, o procurador da República Eduardo El Hage, coordenador da  Lava Jato no Rio, apontou semelhança entre o suposto esquema liderado por Witzel com a atuação do ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Sobre os contratos de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel, o gestor do PSC – que foi juíz – argumentou que para haver lavagem de dinheiro tem que ter vantagem ilícita. “Qual foi a vantagem ilícita que eu pratiquei? estão criminalizando a advocacia”, criticou.

Por fim, Wilson Witzel atribuiu a um ‘possível uso político’ do Ministério Público Federal como causa para seu afastamento. “O STJ possui vários subprocuradores. Por que não se faz como em qualquer outro Ministério Público a distribuição [dos processos] e não o direcionamento para um determinado procurador, no caso da Dr. Lindora?”, questionou, se referindo provavelmente ao Ministério Público Federal, já que o STJ tem magistrados e não procuradores. Com informações da CNN Brasil.