Cármen Lúcia diz estar ‘triste’ com crise no STF

    A declaração ocorreu durante a sessão plenária convocada para discutir o relatório da Polícia Federal (PF)

    Foto: Rosinei Coutinho/STF

    A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) estar em estado de “profunda consternação e tristeza” diante da crise que envolve a Corte. A declaração ocorreu durante a sessão plenária convocada para discutir o relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    Ao comentar a situação, Cármen Lúcia afirmou que o momento ultrapassa a discussão sobre o conteúdo do relatório e afeta a relação do Supremo com a sociedade. A ministra também disse que não costuma antecipar seu voto quando há pedido de vista, mas decidiu se manifestar sobre a questão.

    “Eu não tenho o hábito de antecipar voto quando há um pedido de vista, e por isso eu peço licença ao ministro Flávio Dino. Mas é uma questão de ordem nem é o voto que eu tinha sobre a questão, mas eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava contrariada com alguma coisa, não, eu disse eu estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui que você teria sido o aquele ato decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal guarda da Constituição por determinação nela expressa provocou um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, disse a ministra.

    Cármen Lúcia também pediu desculpas aos brasileiros e afirmou que gostaria de ter contribuído para diminuir a tensão envolvendo o tribunal. Segundo ela, os integrantes da Corte tentaram solucionar as questões, mas os problemas acabaram se ampliando.

    “Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, afirmou.