Deltan critica possibilidade de afastamento pelo CNMP: ‘Com base em nada’

    Nesta terça (15), o colegiado analisa duas ações movidas pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Kátia Abreu (PP-TO)

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, criticou o processo que tramita no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e que pode culminar em seu afastamento. Nesta terça (15), o colegiado analisa duas ações movidas pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Kátia Abreu (PP-TO).

    O emedebista alega que Dallagnol agiu politicamente para contra sua eleição à presidência do Senado em 2019. Já a senadora progressista questiona o acordo, feito entre a Lava Jato no Paraná e a Petrobras, que direciona R$ 2,5 bilhões recuperados para um fundo gerido por uma fundação privada.

    Em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (17), o procurador afirmou que os objetos das ações não são irregularidades da operação, mas opiniões manifestadas publicamente no que chamou de “processo democrático”.

    “(…) quando se discute o meu afastamento com base nisso, é um afastamento com base em nada”, acrescentou.

    Dallagnol lembrou que os precedentes do CNMP não possuem comparativos com sua situação, que pode servir como um exemplo para o futuro. Segundo o procurador, até então duas pessoas foram afastadas por mérito, três tiveram processo instaurado por nota de omissão, atuação negligente e falta de responsabilidade do cargo.

    No caso de Renan Calheiros, o procurador se defendeu dizendo que não sugeriu que o senador não deveria assumir a presidência do Senado, apenas analisou a pauta anticorrupção e o cenário anticorrupção.

    “Eu defendi o voto aberto para a presidência do Senado, essa é uma questão da pauta de transparência, da pauta de corrupção. O que eu falei foi que o que aconteceria com a pauta anticorrupção se o Renan Calheiros fosse eleito presidente, dificilmente ela avançaria porque ele estava sendo investigado pela Lava Jato e pela PGR por corrupção e lavagem de dinheiro”, disse o procurador, se referindo à Procuradoria-Geral da República.

    O procurador continuou sua defesa: “Essa foi uma análise da pauta e do que aconteceria com ela. Eu não analisei quem era Renan Calheiros”.