Publicado em 18/05/2026 às 15h32.

Desembargadora afastada na Operação Faroeste recebeu R$ 1,3 milhão em salários desde 2024

Apenas no primeiro quadrimestre de 2026 os contracheques da magistrada totalizaram R$ 267 mil

Redação
Foto: TJ-BA

 

Mesmo afastada de suas funções no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) sob a acusação de integrar um esquema de venda de sentenças judiciais, a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago recebeu mais de R$ 1,3 milhão em vencimentos desde abril de 2024.

O levantamento, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, aponta que apenas no primeiro quadrimestre de 2026 os contracheques da magistrada totalizaram R$ 267 mil. No mês de abril, período em que passou oficialmente à condição de ré no processo, seu rendimento líquido atingiu a marca de R$ 104 mil.

O afastamento compulsório e a consequente ação penal são desdobramentos da Operação Faroeste, força-tarefa liderada pela Polícia Federal e supervisionada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A investigação debruça-se sobre uma complexa rede de corrupção que envolve juízes, desembargadores, advogados e produtores rurais, estruturada para chancelar a grilagem de propriedades agrícolas de grande extensão no oeste baiano.

Empréstimos simulados, relógio de luxo e custeio de despesas

Segundo a denúncia formalizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a magistrada utilizava transações financeiras dissimuladas como “empréstimos familiares” para ocultar o recebimento de vantagens indevidas.

O Ministério Público Federal sustenta que os repasses financeiros eram operados por empresas controladas pelo empresário Adailton Maturino e por sua esposa, a advogada Geciane Maturino, ambos apontados como os principais articuladores e intermediários do balcão de negócios no tribunal.

As evidências colhidas nas quebras de sigilo bancário e fiscal detalham um padrão de vida incompatível, incluindo a aquisição de um relógio de luxo da marca Rolex, avaliado em cerca de R$ 120 mil, o pagamento recorrente de contas em restaurantes de alta gastronomia, custeadas diretamente pelo grupo criminoso e movimentações de capitais que, de acordo com as autoridades, possuem origem estritamente ilícita e vinculada às decisões judiciais negociadas.

Em nota, o corpo jurídico que representa a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago refutou integralmente o teor das acusações apresentadas pela PGR, sustentando a estrita legalidade e lisura de todas as suas movimentações financeiras e patrimoniais.

 

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