Juiz que chamou Brasil de ‘merdocracia’ em sentença será investigado, diz CNJ

    Magistrado terá um prazo de 15 dias para apresentar informações a respeito do que escreveu numa decisão judicial

    Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

    O corregedor nacional de Justiça em exercício, ministro Emmanoel Pereira, determinou a abertura de uma investigação para apurar se o juiz do trabalho Jerônimo Azambuja Franco Neto, da 18ª Vara do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região, feriu o Código de Ética da Magistratura ao classificar o momento atual do país de “merdocracia neoliberal neofascista” em uma decisão judicial.

    “A Corregedoria Nacional de Justiça tomou conhecimento pela imprensa de que o magistrado teria utilizado uma sentença judicial para tecer comentários acerca de agentes públicos e da atual situação política do país de forma inadequada”, afirma nota publicada pela assessoria de comunicação do CNJ, “o que, em tese, configuraria ofensa ao Código de Ética da Magistratura e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    O juiz terá um prazo de 15 dias para apresentar informações a respeito dos fatos narrados na notícia.

    Nesta segunda-feira, 20, o Instituto Nacional de Advocacia (Inad) protocolou junto ao CNJ uma representação pedindo punição disciplinar, inclusive aposentadoria compulsória, ao magistrado.

    ‘Merdocracia liberal neofascista’

    Em decisão na quinta-feira (16), Azambuja caracterizou a atual realidade brasileira como “merdocracia neoliberal neofascista”. Ainda, usou despacho de quatro páginas para tecer críticas ao governo Bolsonaro e a alguns de seus ministros ao fundamentar seu entendimento sobre uma ação de danos morais de R$ 10 mil.

    “O ser humano Weintraub no cargo de Ministro da Educação escreve ‘imprecionante’. O ser humano Moro no cargo de Ministro da Justiça foi chamado de ‘juizeco fascista’ e abominável pela neta do coronel Alexandrino. O ser humano Guedes no cargo de Ministro da Economia ameaça com AI-5 (perseguição, desaparecimentos, torturas, assassinatos) e disse que ‘gostaria de vender tudo’. O ser humano Damares no cargo de Ministro da Família defende ‘abstinência sexual como política pública’. O ser humano Bolsonaro no cargo de Presidente da República é acusado de ‘incitação ao genocídio indígena’ no Tribunal Penal Internacional.”

    Defesas