
O procurador-geral do Ministério Público do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, defendeu nesta quinta-feira (5), em Salvador, o reforço das ações de prevenção e combate à violência no futebol. Durante encontro no Museu da Misericórdia, no Centro Histórico, ele citou uma operação realizada no Ceará que resultou na prisão de 350 torcedores.
A declaração ocorreu durante a assinatura de um acordo de cooperação entre o Ministério Público brasileiro e o Ministério Público Fiscal da Cidade Autônoma de Buenos Aires, da Argentina. A parceria prevê troca de experiências e estratégias voltadas à segurança em eventos esportivos.
Segundo Herbet, a atuação no Ceará teve reflexos diretos nos clássicos seguintes entre Ceará e Fortaleza.
“Nós tivemos uma operação realizada pelo Ministério Público e pela Polícia do Ceará, ocasião em que deflagramos a prisão de 350 torcedores no início do ano. E depois tivemos mais de dois clássicos onde zeramos as ocorrências. Por quê? Porque os baderneiros estavam presos”, afirmou.
O procurador disse ainda que uma força-tarefa foi criada em conjunto com o Tribunal de Justiça do Ceará e que prisões em flagrante registradas durante um clássico foram convertidas em prisões preventivas.
“Depois zeramos as ocorrências nos dois próximos jogos”, reforçou.
Violência vai além das arquibancadas
Durante o pronunciamento, Herbet destacou que o enfrentamento à violência não deve se limitar ao interior dos estádios. Para ele, dias de grandes clássicos afetam cidades inteiras e exigem planejamento também no entorno das arenas.
“O ambiente do futebol tem que ser permeado pelas pessoas de bem, pelas famílias. Tem que ser um ambiente de paz, de harmonia, de união, e não um ambiente hostil, de guerra, de violência”, disse.
Ele citou rivalidades como River Plate e Boca Juniors, na Argentina, Palmeiras e Corinthians, em São Paulo, Flamengo e Vasco, no Rio de Janeiro, além de Ceará e Fortaleza.
O procurador também ampliou o conceito de violência a ser enfrentado pelas autoridades.
“Eu não falo só da violência física, eu falo de todos os tipos de violência: desde a xenofobia, o racismo e também a violência de gênero”, afirmou.
Copa do Mundo Feminina entra no debate
A proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027 também foi citada pelo procurador. Segundo ele, as cidades que receberão partidas precisam se preparar não apenas para reagir a episódios de violência, mas principalmente para evitá-los.
“É muito mais válido e mais efetivo atuar na prevenção do que no combate, porque combater algo que já aconteceu é muito ruim e, às vezes, muito árduo e penoso”, declarou.
O acordo firmado em Salvador prevê ações conjuntas em áreas como combate ao racismo, xenofobia, discriminação e violência de gênero, além de planejamento de segurança, prevenção de conflitos entre torcidas organizadas, proteção de crianças e adolescentes e uso de tecnologias em eventos esportivos.
Herbet também destacou o simbolismo de Salvador ter sido escolhida para sediar a assinatura do acordo e citou a maioria negra da população baiana ao relacionar o local às discussões sobre racismo no futebol.
A cooperação envolve o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União, o Grupo Nacional de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios e o Ministério Público Fiscal de Buenos Aires.
