MPT investiga morte de operador de máquinas em mina na Bahia

    Acidente ocorreu na noite de sexta-feira enquanto o trabalhador operava uma motoniveladora no interior da mina subterrânea

    Foto: EroBrasil / Divulgação

    O Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia instaurou um procedimento investigatório para apurar as causas e responsabilidades pela morte do trabalhador ocorrida na mina subterrânea de Pilar, pertencente à unidade Caraíba do grupo Ero Brasil, no município de Jaguarari, no centro-norte baiano. A apuração tem como foco identificar eventuais falhas na observância das normas de saúde e segurança do trabalho (SST) aplicáveis à atividade minerária de alta complexidade.

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    Operador trabalhava há mais de 10 anos na empresa

    A vítima foi identificada como Ronaldo, operador de máquinas de 45 anos e funcionário do grupo desde 2012, que deixa esposa e duas filhas. De acordo com os relatos preliminares, o acidente ocorreu na noite de sexta-feira (23) enquanto o trabalhador operava uma motoniveladora no interior da mina subterrânea. Apesar de socorrido por equipes de resgate da mineradora e conduzido a uma unidade médica da região, ele não resistiu aos ferimentos.

    A investigação visa verificar se as medidas preventivas para atividades subterrâneas estavam sendo devidamente cumpridas e se o maquinário apresentava condições adequadas de operação.

    Empresa ressaltou cooperação

    Em decorrência da ocorrência fatal, a direção da Ero Brasil determinou a suspensão temporária por 24 horas das atividades produtivas em todo o complexo Caraíba, abrangendo as minas de Pilar, Vermelhos e Surubim, mantendo exclusivamente a execução de serviços essenciais.

    Em comunicado oficial, a empresa declarou estar prestando assistência integral à família da vítima, ao tempo em que colabora com os órgãos competentes para o esclarecimento do acidente.

    Histórico

    A exploração de minérios na cidade já levantou, no passado, dúvidas sobre a relação da prática com fenômenos ocorridos na cidade, como abalos sísmicos. Em 2024, por exemplo, a região já teve mais de 80 tremores em um dia. A suspeita recai justamente na exploração de minério de cobre.

    A quantidade de abalos fez com que o Núcleo Bahia/Sergipe da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), a UFBA e a UEFS a publicassem uma nota técnica, no início do mês, defendendo a paralisação das atividades em áreas mais suscetíveis a eventos sísmicos.

    Além dos fenômenos registrados, a cidade já registrou mortes e diversos acidentes em locais de exploração de minério.