A Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (CAAB) ampliou nos últimos anos a oferta de serviços de saúde, assistência social, apoio profissional e benefícios destinados à advocacia baiana. Em entrevista ao Direito.ba, podcast do Bahia.ba apresentado por Anna Carolina Alencar e Aline Gama, o presidente da instituição, Maurício Leahy, detalhou a atuação da entidade, falou sobre os desafios da profissão e antecipou novos projetos voltados aos advogados e seus dependentes.
O que é a CAAB?
Segundo Leahy, a CAAB funciona como o braço assistencial e social ligado à estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tem como missão principal prestar apoio aos profissionais que enfrentam situações de vulnerabilidade financeira ou problemas de saúde. A entidade também atua nas áreas de esporte, lazer, cultura, bem-estar e qualidade de vida. A Caixa baiana completou 80 anos em 13 de maio de 2026.
O presidente destacou que a instituição integra uma estrutura mais ampla formada pela OAB, pela Escola Superior de Advocacia (ESA), pelas comissões temáticas, pelas subseções e por outros órgãos de representação da categoria. Na avaliação dele, essa atuação precisa ocorrer de forma integrada para atender às diferentes necessidades dos profissionais.
Leahy explicou que a assistência oferecida pela CAAB não se restringe ao advogado ou à advogada. Dependentes previstos nas normas da instituição também podem utilizar parte dos serviços. Estagiários inscritos na OAB Bahia, embora tenham algumas limitações, também podem acessar determinados benefícios, como descontos e serviços de transporte.
Eixos de atuação
Entre os principais eixos de atuação estão os auxílios financeiros concedidos em situações específicas. A CAAB mantém benefícios como auxílio adoção, funeral, natalidade, pecuniário e extraordinário. Os pedidos passam inicialmente pelo atendimento de uma assistente social, que analisa a situação do requerente, reúne a documentação e, quando necessário, realiza visitas presenciais. O processo é posteriormente encaminhado para análise da diretoria, que delibera sobre o cumprimento dos requisitos.
Novas modalidades também foram criadas em resposta a situações enfrentadas pela advocacia. Leahy citou o auxílio calamidade, instituído após as fortes chuvas registradas no extremo sul da Bahia em 2022, quando advogados perderam imóveis, veículos e escritórios. A instituição também criou apoio destinado a profissionais que sofreram violações de prerrogativas e um auxílio voltado a advogadas vítimas de violência doméstica ou de gênero.
Na área de saúde mental, o presidente afirmou que a demanda aumentou significativamente nos últimos anos, sobretudo após a pandemia. De acordo com ele, a CAAB ampliou em a quantidade de vagas do serviço de psicologia e atualmente oferece cerca de mil consultas gratuitas por mês. O atendimento também foi levado ao interior por meio da telemedicina.
Interiorização dos benefícios
A interiorização, segundo Leahy, é uma das prioridades da gestão. A Bahia possui 37 subseções da OAB espalhadas por um território de 417 municípios, o que impõe dificuldades logísticas para a prestação dos serviços. Para ampliar a presença da Caixa, a entidade conta com delegados e delegadas nas subseções e busca levar projetos de saúde, transporte e atendimento para diferentes regiões do estado.
Leahy afirmou ainda que uma pesquisa anterior apontava que apenas 17% da advocacia conhecia a Caixa de Assistência. Atualmente, segundo ele, esse percentual chegou a 85% entre profissionais que sabem o que é a instituição ou já tiveram contato com algum de seus projetos e ações.
Como funciona na capital?
Em Salvador, a CAAB mantém unidades que disponibilizam estrutura física para o exercício profissional. Entre elas está o projeto Meu Escritório, com espaços preparados para que advogados possam receber clientes e realizar reuniões sem necessidade de manter um escritório próprio. A iniciativa também possui unidades em subseções do interior.
O transporte é outro serviço citado pelo presidente. Segundo ele, cinco vans circulam por pontos de interesse da advocacia na capital. Entre 2022 e 2024, foram realizadas cerca de 130 mil conduções. O serviço também está disponível em municípios como Vitória da Conquista, Feira de Santana, Ilhéus e Itabuna.
A instituição mantém ainda um clube de benefícios com milhares de empresas conveniadas. Leahy estimou a existência de aproximadamente 3 mil a 3,5 mil estabelecimentos parceiros, com descontos em áreas como saúde, educação, alimentação, vestuário, serviços e aquisição de veículos. Parte dos benefícios exige que o profissional esteja em dia com a anuidade da OAB, enquanto outros podem ser utilizados independentemente da situação financeira junto à entidade.
Na entrevista, o presidente explicou que a CAAB recebe 20% do valor arrecadado com as anuidades da OAB e possui autonomia administrativa e financeira para gerir esses recursos. Ele informou, no entanto, que uma alteração regimental aprovada no Conselho Federal deverá reduzir o percentual destinado às caixas de assistência nas próximas gestões.
Outro projeto em desenvolvimento é uma farmácia digital. De acordo com Leahy, a proposta é permitir a compra de medicamentos pelo celular e a entrega na residência do usuário. Ele afirmou que os descontos previstos devem variar entre 40% e 80% em relação ao preço médio dos medicamentos.
Sobre as transformações do mercado
Ao abordar as transformações do mercado jurídico, o presidente apontou a capacidade de adaptação como uma das principais exigências para os profissionais. Com 30 anos de atuação na advocacia, ele lembrou que acompanhou a transição das máquinas de escrever para os computadores, a digitalização dos processos e, mais recentemente, o avanço da inteligência artificial.
Para Leahy, a velocidade das mudanças aumentou no período pós-pandemia. Ele defendeu que advogados mais experientes e profissionais em início de carreira acompanhem as novas ferramentas tecnológicas, sem abandonar a formação técnica e os princípios éticos da profissão. Segundo o presidente, recursos como inteligência artificial, automação e sistemas de gestão podem auxiliar na rotina dos escritórios e liberar mais tempo para o atendimento humano aos clientes.
No encerramento da entrevista, Leahy defendeu maior participação dos advogados nas estruturas representativas da categoria e reforçou a importância da adaptação profissional. Para ele, a advocacia enfrenta dificuldades relacionadas à morosidade do Judiciário, ausência de magistrados em algumas comarcas e mudanças aceleradas na forma de trabalhar. Nesse cenário, afirmou que a atuação conjunta da categoria e o uso responsável da tecnologia podem contribuir para enfrentar os novos desafios da profissão.
Veja entrevista na íntegra:

