Jerônimo prevê ações contra seca e efeitos do El Niño na Bahia

    Jerônimo Rodrigues destaca medidas contra os efeitos do El Niño, incluindo novas barragens, apoio aos municípios e ações na saúde

    Foto: Pevê Araújo / bahia.ba

    O governador Jerônimo Rodrigues (PT) participou de uma reunião com a União dos Municípios da Bahia (UPB), em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SEAF/SRI/PR), realiza, nesta terça-feira (1º), sobre os possíveis efeitos do El Niño no Nordeste do Brasil e os desafios para a gestão pública municipal. 

    Antes do evento, em entrevista à imprensa, Jerônimo destacou ações de prevenção e enfrentamento aos possíveis efeitos do El Niño no Nordeste. Segundo o governador, a Bahia precisa ampliar a capacidade de armazenamento de água e fortalecer a atuação conjunta entre Estado, municípios e governo federal para reduzir os impactos de períodos prolongados de seca e calor.

    “Eu escrevi no meu programa de governo a ampliação da capacidade de reservamento de água. Então, reservar água com mais barragens, com mais barraginhas, com tanques, com barreiros. É importante para que no período de falta de chuva, ou no período de seca, a gente possa ter água para os animais, água para os bichos”, afirmou.

    Seca também preocupa na saúde

    O governador ressaltou que os efeitos de períodos de seca e temperaturas elevadas vão além da falta de água. Segundo ele, o calor intenso pode provocar impactos na saúde da população, especialmente com o aumento de problemas respiratórios e alterações de pressão.

    “Nós sabemos que a intensificação de períodos de seca causa transtorno na saúde. Então nós temos um plano de saúde para acompanhamento das pessoas que, nesse período, se ressentem muito disso”, disse.

    Jerônimo também lembrou que, enquanto o Nordeste pode enfrentar falta de chuva e calor intenso, outras regiões do país podem sofrer com o excesso de precipitações. Ele defendeu o fortalecimento das equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e das estruturas municipais para lidar com diferentes tipos de eventos climáticos. 

    Bahia quer ampliar produção e uso de energia renovável

    Durante a entrevista, o governador também falou sobre a política energética da Bahia e destacou a expansão da produção de fontes renováveis no estado.

    Jerônimo lembrou que os governos anteriores desenvolveram estudos sobre os potenciais de energia eólica e solar da Bahia e afirmou que sua gestão atualizou esses levantamentos e acrescentou um atlas voltado ao hidrogênio verde.

    Segundo o governador, a Bahia já é o segundo estado brasileiro em produção de energias renováveis e possui capacidade para produzir, em fontes renováveis, o equivalente à energia consumida atualmente no território baiano.

    No entanto, Jerônimo defendeu que o estado avance na industrialização dessa produção, atraindo empresas e investimentos para o interior.

    “A gente não quer exportar só energia do vento, a energia do sol ou do hidrogênio verde e ter que depois importar industrializado. Então, os grandes computadores, os data centers, nós queremos estimular para que as indústrias e as empresas possam vir se instalar aqui na Bahia”, afirmou.

    Ele também citou a expectativa com os novos linhões de transmissão anunciados pelo governo federal, que deverão ampliar a capacidade de escoamento da energia produzida no semiárido.

    Educação ambiental deve começar nas escolas, diz governador

    Jerônimo também defendeu uma atuação preventiva desde a educação básica. Segundo ele, a parceria com os municípios deve incluir ações de educação ambiental nas escolas e creches.

    Para o governador, crianças e adolescentes precisam aprender desde cedo práticas de preservação dos recursos naturais e de uso consciente da água e da energia.

    “A educação ambiental tem que ser um tema obrigatório”, afirmou, citando atitudes simples, como evitar desperdício de água e energia.

    Jerônimo destacou ainda que mais de 70% do território baiano está inserido no semiárido, região marcada pela escassez de água e que exige investimentos permanentes em infraestrutura e preservação ambiental.

    Serra da Chapadinha entra no plano de proteção

    Durante a entrevista, Jerônimo também comentou a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha, publicada nesta terça-feira (1º) no Diário Oficial do Estado. A Unidade de Conservação abrange áreas de Itaeté, Ibicoara, Mucugê e Iramaia, na Chapada Diamantina. O governador afirmou que a proteção da área também deverá envolver municípios do entorno.

    “É uma região importante de proteção ambiental, inclusive organizando ali a relação com os prefeitos dos quatro municípios envolvidos. Não só quatro, nós temos ali no entorno dela mais de oito municípios que têm a ver com a Serra da Chapadinha”, afirmou.

    Jerônimo disse esperar que os próximos passos incluam a criação de um plano de ação para transformar a região em um ponto de turismo, geração de emprego e renda, sem deixar de lado a proteção das nascentes e da vegetação.

    Governo quer ações para pequenos produtores

    O governador também chamou atenção para o impacto desigual dos fenômenos climáticos. Segundo ele, pequenos produtores e municípios com menor capacidade de investimento tendem a sofrer mais com os efeitos da seca e do calor.

    Jerônimo defendeu medidas de apoio financeiro e investimentos conjuntos por meio de consórcios públicos, além da distribuição de máquinas e equipamentos para limpeza de aguadas e preparação para o período de chuvas.

    Ele também afirmou que pretende ampliar o número de barragens no estado. A Bahia possui atualmente cinco municípios em áreas classificadas como de desertificação, segundo Jerônimo. Para ele, é necessário desenvolver ações não apenas nesses locais, mas também nas regiões do entorno.

    O governador destacou ainda que, em situações de escassez, o Estado poderá precisar ampliar o uso de carros-pipa para garantir o abastecimento de comunidades sem sistemas de adução.

    “Não é só isso: a área de saúde, por exemplo, padece muito, porque problemas respiratórios, problemas de pressão por conta de um calor excessivo. Então nós temos um plano também em outras áreas, a exemplo da saúde”, afirmou.