Sargento e servidores do Detran-BA são presos em operação

    Quatro pessoas são presas durante operação que apura fraude em registros e transferências de veículos na Bahia e no Ceará

    Foto: Bruno Ricardo / Ascom-PCBA

    Quatro pessoas foram presas e dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta terça-feira (1º), durante a Operação Giratina, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular um esquema suspeito de fraudar procedimentos de recadastramento e transferência de veículos na Bahia.

    Entre os presos está um sargento da Polícia Militar, que, à época dos fatos investigados, estava cedido ao Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA). Também foram presos dois servidores comissionados que ocupavam funções de chefia e direção na 25ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), em Simões Filho.

    O quarto preso é parente de um dos alvos da operação. Durante o cumprimento de um mandado de busca na residência dele, os policiais encontraram uma arma de fogo irregular, o que resultou em prisão em flagrante.

    Três prisões ocorreram em Madre de Deus e uma em Simões Filho. As equipes também cumpriram mandados de busca e apreensão em Camaçari e Lauro de Freitas.

    No Ceará, foram cumpridos outros quatro mandados em endereços ligados a uma empresa e a pessoas apontadas como envolvidas no esquema. Durante as diligências, foram apreendidos uma pistola, um revólver, celulares e documentos que podem ajudar no avanço das investigações.

    Como funcionava o esquema

    A investigação começou após uma comunicação encaminhada pelo Detran-BA, com base em procedimentos correcionais realizados na 25ª Ciretran, em Simões Filho.

    Segundo a apuração, foram identificados indícios de clonagem documental de veículos. Automóveis pertencentes a empresas legítimas, registrados em estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, teriam sido usados como base para a criação de registros falsos na Bahia.

    O esquema envolveria a apresentação de documentos falsos, a realização ou validação de vistorias, a inserção de dados no sistema Renavam e a emissão da documentação necessária para formalizar as transferências.

    A participação de servidores públicos nas etapas de vistoria, conferência documental e emissão dos registros é investigada como um dos mecanismos utilizados para dar aparência de legalidade às operações fraudulentas.

    Veículos eram usados para obter crédito

    Depois de inseridos no sistema, os veículos eram utilizados, em poucos dias, em operações de alienação fiduciária para empresas sediadas no Ceará.

    De acordo com os levantamentos, a fraude permitia que instituições financeiras concedessem crédito tendo como garantia veículos que apareciam legalmente registrados, mas que, na realidade, eram documentalmente clonados e pertenciam a empresas que desconheciam as operações.

    A investigação apura ainda os crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações, falsidade ideológica, corrupção passiva e associação criminosa. Também existem indícios de outros crimes que podem ter sido praticados em diferentes estados brasileiros.