Israelenses em Itacaré: dono de casarão azul comenta polêmica

    Tensão entre ativistas pró-Palestina e turistas ganhou novo episódio com pinturas no imóvel

    Casarão azul de Itacaré
    Foto; Reprodução/Redes Sociais

    O proprietário do casarão azul, em Itacaré, no litoral sul da Bahia, Marcelo Barros, se pronunciou sobre a polêmica envolvendo uma intervenção de ativistas pró-Palestina no imóvel e turistas israelenses.

    Em vídeo publicado nas redes sociais no último dia 2 de novembro, ele afirmou que as pinturas realizadas no casarão ultrapassaram o que havia sido combinado e negou qualquer vínculo com movimentos políticos ou religiosos.

    Entenda a polêmica em Itacaré

    O episódio ganhou repercussão após uma manifestação realizada no último domingo (1º), quando o imóvel recebeu pinturas, frases e ilustrações relacionadas à causa palestina. Entre as inscrições estava a expressão “Do Rio ao Mar”, um dos principais pontos de controvérsia envolvendo a intervenção.

    O lema faz referência ao território entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, que compreende Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Para defensores da causa palestina, a expressão representa uma reivindicação de direitos para os palestinos em toda a região.

    Já para a comunidade judaica e apoiadores de Israel, significa um chamado à eliminação do Estado israelense. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também contesta a interpretação dos ativistas e considera a expressão um chamado à destruição de Israel.

    Diante do caso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) anunciou a articulação de medidas para prevenir e enfrentar episódios de hostilidade, discriminação e violência no local.

    Proprietário diz que pinturas ultrapassaram o combinado

    No pronunciamento, Marcelo Barros destacou que o casarão pertence à família há mais de um século e que o imóvel sempre foi utilizado para receber e acolher pessoas temporariamente.

    “Esse casarão pertence a nossa família há mais de um século e aqui nós sempre recebemos e acolhemos pessoas por um período. Nossa família acolhe até que suas condições financeiras pudessem ser estabelecidas e elas voltassem a sua rotina normal”, declarou.

    O proprietário afirmou que houve uma divergência entre o que havia sido combinado e o resultado da intervenção. Segundo ele, as paredes receberam pinturas que não estavam autorizadas.

    “Por conta de uma não conformidade com o que foi combinado, as paredes do casarão foram tomadas por pinturas que não estavam autorizadas. Nós queremos deixar claro que não somos racistas, não somos contra nenhum grupo étnico, racial ou religioso”, afirmou.

    “Também deixar claro que nós não somos ativistas de nenhum grupo, nem pertencemos a nenhuma denominação religiosa ou nenhuma denominação que possa trazer discórdia e disseminar o ódio, o racismo e a intolerância religiosa”, acrescentou.

    Dono pede respeito às diferenças e proíbe novas intervenções

    Ainda no vídeo, Marcelo Barros ressaltou a tradição de acolhimento de Itacaré e afirmou que pessoas de diferentes origens sempre foram recebidas e respeitadas no município. Ele também fez um apelo para que diferenças políticas, religiosas e sociais não sejam motivo de conflitos.

    “Todos que chegam a Itacaré, sempre são recebidos com muito carinho, amor e respeito. Todas essas pessoas que, há muitos anos, chegaram de outros lugares para morar em Itacaré, sempre foram respeitadas, bem recebidas e nunca foram perseguidas nem discriminadas”, disse.

    “O que a gente entende é que as pessoas precisam abrir os corações e ter mais amor pelo próximo. Quem tem suas diferenças religiosas, políticas ou sociais, que deixem para tratar elas nos seus países”, declarou.

    Ao final do pronunciamento, Marcelo informou que as autoridades já haviam sido comunicadas sobre o episódio e anunciou medidas de segurança para evitar novas intervenções no imóvel e na área ao redor.

    “Por favor, a partir de hoje, ninguém está autorizado a fazer qualquer intervenção no Casarão Azul da Praça São Miguel. As autoridades já foram informadas. Já foram colocadas câmeras para fazer a cobertura do Casarão e da poligonal da Praça São Miguel”, concluiu.