Prefeitura de Cansanção suspende nomeação de filha da prefeita

    Decisão do município gerou polêmica e se tornou alvo do MP-BA (Ministério Público da Bahia) por suspeita de nepotismo

    Prefeita de Cansanção, Vilma Gomes (MDB), nomeia filha, Pollyanna Gomes, como chefe de Gabinete (Foto: reprodução/redes sociais @vilmarosagomes38)

    A Prefeitura de Cansação revogou a nomeação de Pollyanna Gomes, filha da prefeita Vilma Gomes (MDB), para o cargo de chefe de gabinete. Decisão do município gerou polêmica e se tornou alvo do MP-BA (Ministério Público da Bahia) por suspeita de nepotismo.

    A atualização foi publicada no Diário Oficial do Município de Cansanção da última quinta-feira (22), por meio da Portaria nº 079/2026.

    Prefeitura de Cansanção revoga nomeação de filha da prefeita (Foto: reprodução/Diário Oficial de Cansanção)

    Prefeitura de Cansanção argumentou que filha da prefeita foi escolhida por aspectos técnicos

    A prefeita de Cansanção, Vilma Gomes, nomeou a própria filha, Pollyanna Gomes, para o cargo de chefe de gabinete na prefeitura municipal na sexta-feira (16). Medida gerou suspeitas de nepotismo e, ao ser questionada sobre o caso, a gestão municipal baiana afirmou que a nomeação de Pollyanna Oliveira Gomes se deveu à formação acadêmica e experiência profissional. Segundo a prefeitura, a filha da prefeita é formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, e mais de 20 anos de atuação no setor empresarial, com experiência em gestão.

    Tendo isso em vista, a Prefeitura defende que o nome de Pollyanna Gomes era apto a assumir o cargo. 

    “O cargo de Chefe de Gabinete possui papel estratégico na estrutura do Governo Municipal, atuando essencialmente na articulação institucional, no diálogo com lideranças políticas, no relacionamento com os demais órgãos e Poderes e no acompanhamento das ações governamentais. São atribuições que exigem liderança, capacidade de comunicação, organização e uma relação de confiança com a Chefe do Poder Executivo”, diz o texto.

    Vilma Gomes e o vice-prefeito foram cassados em 2025

    A prefeita Vilma Gomes e o vice-prefeito Rodrigo Pereira de Oliveira (PT) foram cassados pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições de 2024.

    Segundo a investigação, a gestão municipal contratou 2.518 servidores temporários entre os meses de junho e agosto de 2024 – período em que isso é proibido por lei. Dentre esses, 600 teriam sido contratados em excesso. O MPE (Ministério Público Eleitoral) confirmou a irregularidade e apontou que ao menos 15 servidores foram admitidos e exonerados no intervalo ilegal.

    Os políticos entraram com recurso contra a sentença e o processo foi enviado ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) em 28 de abril de 2025.

    Anteriormente, Vilma Gomes foi secretária de Saúde na gestão do marido, Ranulfo da Silva Gomes (PSD), condenado por um esquema milionário de fraudes. À época sentença não atingiu a atual prefeita, mas abarcou a ex-secretária municipal de Educação, Valdirene Rosa de Oliveira (irmã de Ranulfo), e o ex-pregoeiro José Marcos Santana de Souza.