ACM Neto critica politização da morte de miliciano e diz que caso é de polícia

    "Eu não posso acreditar que uma motivação política determinou o assassinato dele", afirmou o prefeito

    Foto: Chayenne Guerreiro/bahia.ba

    O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), criticou nesta quarta-feira (19) a politização em torno da morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega e defendeu  que o caso, embora “gravíssimo”, seja tratado na esfera policial.

    “Eu não vou entrar nessa discussão porque eu condeno que isso seja tratado em debate político. Porque fulano de tal é de um partido e beltrano de outro… Pegar um caso gravíssimo, que foi a morte do miliciano, que era um dos caras mais procurados pela polícia do Rio de Janeiro, e trazer para o debate político”, disse ACM Neto em agenda no bairro da Barra, onde vistoriou estruturas erguidas para o Carnaval.

    A afirmação do prefeito foi feita um dia após o senador Flávio Bolsonaro (sem partido) divulgar um vídeo do suposto corpo do ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e insinuar que ele foi torturado e executado na operação realizada por forças de segurança baianas em conjunto com agentes de inteligência da Polícia Civil fluminense. As acusações foram desmentidas pela Secretaria de Segurança Pública.

    Acusado de chefiar a milícia Escritório do Crime, Adriano morreu no último dia 9 em um confronto policial na zona rural de Esplanada, cidade a 170 quilômetros da capital baiana.

    Ao rechaçar o que chamou de “bate-boca”, ACM Neto diz esperar que as investigações sejam concluídas com celeridade. “A gente espera, o quanto antes, a partir das apurações técnicas e rigorosas por parte principalmente da polícia, que haja uma justificativa, haja um desfecho que justifique a operação que aconteceu, pra não haver dúvidas, não haver questionamentos.”

    “Eu não posso acreditar que uma motivação política determinou o assassinato dele. Agora, tem que se saber como é que a polícia agiu e porque que agiu. Essas respostas precisam ser dadas”, acrescentou o prefeito.

    Adriano era ex-capitão do Bope e estava foragido havia cerca de um ano após operação do Ministério Público do Rio de Janeiro para prender integrantes da milícia de Rio das Pedras. O ex-PM possuía ligações com o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

    Flávio chegou a empregar a ex-mulher e a mãe de Adriano em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, mas afirma não possuir qualquer ligação com a milícia e desconhecer as suspeitas contra o ex-PM.