Aeroporto de Salvador muda de nome. Segundo Cid, é um desserviço à história

    Pondere-se que esse troca-troca, ou a duplicidade, com o nome oficial e o do povo, faz parte da cultura nacional

    Foto: Carol Garcia/GOV BA
    Foto: Carol Garcia/GOV BA

     

    Pergunta a leitora Dayane Rodrigues, da Pituba, o que nós achamos do fato de o nome de Luís Eduardo Magalhães ter sido retirado da fachada do Aeroporto de Salvador, que agora só ostenta a marca da Vinci Aiport, a empresa que o opera.

    Dayane, prezada, ficamos com o historiador Cid Teixeira, que sempre disse:

    — Trocar nomes de logradouros públicos é um enorme desserviço à história.

    Ele, nos seus bons tempos, citava vários fatos para justificar sua indignação. A hoje Rua Chile, por exemplo, a primeira rua do Brasil, centro de Salvador, onde a cidade nasceu, inicialmente chamava-se Rua da Porta de Santa Luzia, depois Rua Direita dos Mercadores, depois Rua Direita do Palácio e a partir de 1902, Rua Chile.

    Cultura

    Pondere-se que esse troca-troca, ou a duplicidade, com o nome oficial e o do povo, faz parte da cultura nacional. Assim o é que o Estádio Mário Filho, no Rio, simplesmente é o Maracanã. Em Salvador, o Bonocô é a Avenida Mário Leal Ferreira, a Paralela é Avenida Luiz Viana, a Baixa dos Sapateiros é a Rua J. J. Seabra e por aí.

    No caso do aeroporto, era 2 de Julho, até passar a chamar-se Luís Eduardo Magalhães, nome oficial, que permanece, embora só no papel, e agora Vinci Aiport. O nosso estádio maior era a Fonte Nova, depois Octávio Mangabeira e hoje Arena Itaipaiva. Gostaria de ficar vivo para ver entre os dois e a Rua Chile que irá para o quarto nome.