A vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, afirmou que o programa Vida Nova foi estruturado para ir além da transferência de renda e oferecer acompanhamento integral às famílias em situação de maior vulnerabilidade social. Em entrevista nesta quinta-feira (24) ao .ba ao vivo, do bahia.ba, ela detalhou as ações previstas pela iniciativa, que contempla cerca de 3.180 famílias e aproximadamente 15 mil pessoas.
“Esse programa VidaNova é um dos mais lindos já lançados nesse país. Vocês vão entender que é muito mais do que um cartão alimentação”, afirmou Ana Paula.
Segundo a vice-prefeita, a Prefeitura identificou as condições de vulnerabilidade das famílias em diferentes dimensões. “A gente identificou as condições de vulnerabilidade em seis dimensões: educação, saúde, habitação, alimentação, questões psicossociais, para que a gente pudesse olhar as famílias com maior pobreza, maior vulnerabilidade da cidade e cuidá-las de modo integral”, explicou.
Cartão de R$ 200 é apenas o início
Ana Paula destacou que o programa começa com a concessão de um cartão alimentação de R$ 200, mas que o benefício representa apenas uma das etapas do acompanhamento.
“Começa com um cartão de alimentação de R$ 200, que é para todas as pessoas poderem ter uma complementação da renda, melhorar a questão alimentar das famílias, mas passa por identificar as crianças que eventualmente estejam fora da escola, fora da creche e ajudá-las nessa matrícula”, disse.
Segundo ela, quando necessário, a Prefeitura também poderá utilizar o Primeiro Passe para auxiliar no acesso à educação.
“Se não tiver perto de casa, ajudar com o programa Primeiro Passe, com o auxílio financeiro, para usar uma escolinha do bairro”, explicou.
Agentes identificam demandas de saúde
A vice-prefeita também destacou o papel dos agentes VidaNova na identificação de problemas de saúde dentro das famílias.
“Depois disso, identificar também as questões de saúde. Por exemplo, ontem a gente identificou uma família, não vou nomear, mas que tinha uma questão de tuberculose que precisava de atenção de imediato”, relatou.
Segundo Ana Paula, os agentes têm autonomia para acionar a estrutura da Prefeitura. “O agente VidaNova tem a autonomia de falar com o supervisor, que já é uma equipe da saúde. E a gente já fez a intervenção”, afirmou.
Para ela, o objetivo é justamente acompanhar as diferentes necessidades de cada família. “Então é olhar as dimensões da vulnerabilidade.”
Auxílio-aluguel e melhoria das casas
Na área de habitação, Ana Paula afirmou que as famílias que vivem de aluguel poderão receber R$ 400 de auxílio-aluguel. “Na questão da habitação, a gente está pagando auxílio-aluguel de R$ 400 para todas essas pessoas dessa família que morem de aluguel”, explicou.
Para quem possui imóvel próprio, mas vive em condições inadequadas, a Prefeitura pretende utilizar o programa Amorar Melhor.
“Quem eventualmente já tem uma casinha própria, mesmo que seja numa condição que ainda não é a ideal, a gente vai entrar com o programa Amorar Melhor. Já tem 11 famílias com suas casas sendo reformadas”, disse.
A vice-prefeita também afirmou que a Prefeitura pretende buscar articulação com os governos federal e estadual para ampliar o acesso dessas famílias a programas habitacionais.
“Também estamos criando uma lógica para conversar com o governo federal, com o governo do Estado, pós-eleição, para que os programas de habitação federais de Minha Casa Minha Vida possam priorizar esse público”, afirmou.
Segundo Ana Paula, atualmente o acesso ocorre por sorteio. “A gente entende que, se a cidade consegue identificar os mais vulneráveis, eles têm que ter prioridade absoluta nas políticas públicas.”
Bolsa para quem voltar a estudar
O VidaNova também prevê ações voltadas à educação de jovens e adultos. “A gente também está identificando quem não está na escola. Às vezes, um jovem, uma senhora, um senhor. Está dando uma bolsa para estudar, que é o Bolsa EJA, para o ensino de jovens e adultos”, explicou.
Segundo ela, o apoio financeiro busca ajudar quem precisa conciliar trabalho e estudo. “Porque uma pessoa que trabalha para estudar vai precisar ter o apoio financeiro”, afirmou.
Programa também mira emprego e empreendedorismo
Outro eixo do VidaNova será a identificação das habilidades e necessidades profissionais de cada família. “Também entender dessas famílias qual é a vocação: se é a vocação para ser empreendedora, se é para trabalhar de carteira assinada”, disse Ana Paula.
A partir desse diagnóstico, a Prefeitura poderá oferecer cursos e apoio financeiro para qualificação. “Para dar um curso, fazer a qualificação profissional com bolsa também para poder estudar”, explicou.
Nos casos de empreendedorismo, a proposta é oferecer suporte para iniciar uma atividade. “Se a vocação foi empreender, a gente dá o kit, ajuda a montar um negócio. Se for emprego, sim, priorizar essa contratação.”
Programa atende cerca de 15 mil pessoas
Ana Paula explicou que o público foi selecionado entre as famílias consideradas mais vulneráveis de Salvador. “Por que esse grupo? Porque são as 3.180 famílias, aproximadamente 15 mil pessoas, mais pobres de Salvador, mais vulneráveis”, afirmou.
Segundo a vice-prefeita, cerca de 95% desse público é formado por mulheres. “95% delas, mães solo, mães atípicas, mães negras, mulheres que estão em condição de total vulnerabilidade e sujeitas a questões inclusive à violência, violência da rua, violência doméstica”, declarou.
Acompanhamento será feito por dois anos
O VidaNova terá duração inicial de dois anos, período em que as famílias serão acompanhadas pelas equipes municipais.
“Então a gente começa com esse programa e a nossa ideia é aumentar. É por dois anos, é com acompanhamento psicossocial, para que a gente entenda de fato qual o caminho para superar a pobreza”, afirmou.
Ana Paula também relatou a emoção ao acompanhar a implantação da política pública. “Eu tive a oportunidade, nesse dia, assim, uma das poucas vezes, de chorar de emoção”, contou.
Segundo ela, a experiência de acompanhar situações de vulnerabilidade na gestão pública reforçou a necessidade de criar uma política estruturada.
“Normalmente a gente que está na gestão pública, às vezes quando chega em casa, sente a dor de uma mãe que perdeu um filho, um filho que perdeu a mãe na chuva, na pandemia. Eu tenho isso muito forte. É a gente se compromete a fazer mais, mas poder já ter algo que foi construído aos pouquinhos.”
Ana Paula lembrou ainda que a implantação começou com a contratação dos agentes e o trabalho de identificação das famílias.
“Primeiro a gente contratou os agentes, foi de porta em porta, criou o índice, que é o IVS, Índice de Vulnerabilidade Social, e agora tem uma política integral.”
Ao final, a vice-prefeita destacou a expectativa de ampliar a iniciativa. “Isso é muito lindo, eu tenho certeza que vai ser ampliado e vai correr o Brasil”, afirmou.

