Frase da vez
“É a intenção, e não a doação, que faz o doador”
Gotthold Lessing, filosófo e poeta alemão (1729-1781)

A máxima aí – muito evocada pelos políticos no auge da Lava Jato – foi pinçada do episódio bíblico do Cristo com a mulher adúltera que seria apedrejada pela multidão e dele recebeu o perdão.
Quer dizer que todos cometem ou já cometeram tal pecado, de resto, uma prática comum nos embates eleitorais até hoje.
É aí que está o nó da questão, quando Geddel diz, e por isso causou rebuliço nos meios políticos, que não vê problema em o Congresso tratar com tranquilidade o projeto que anistia os praticantes do Caixa 2.
Não é bem assim. Tem problema, sim. E por dois motivos:
1 — Grande parte do Congresso está metida até o pescoço na Lava Jato, numa circunstância em que, quem abasteceu tais caixas (os empresários) está preso, enquanto os beneficiários, ou mais precisamente os políticos com mandato, não.
2 — Na condição de ministro, ficou parecendo estar falando pelo governo e aí o perdão para os pecadores viraria política de Estado, o que fez Temer pular fora.
Em suma, se esse Congresso que aí está, viesse a cuidar do assunto, estaria perdoando os pecados que os seus próprios integrantes cometeram.
Mais ou menos como ser juiz de si próprio.
Fantasmas endinheirados
Enquanto a polêmica da anistia do Caixa 2 agita Brasília, o TSE traz novas revelações sobre a campanha deste ano: 92,2 mil doações suspeitas, num montante de R$ 266 milhões, o que representa 27,9% do total já informado até agora.
E algumas são suspeitas suspeitíssimas: mortos fazendo doações, que ainda por cima são beneficiários do Bolsa Família.
O episódio, em si um absurdo, robustece outra convicção. O Caixa 2 virou cultura de cabo a rabo.
No caso em apreço, com um agravante: os mortos que saem do túmulo para distribuir dinheiro.
É o Caixa 2 alimentado por fantasmas.
Questão aberta
O projeto que dá aos PMs o direito de pegar outro emprego, o que antes era proibido, deixou um ponto vago para os deputados resolverem quando o recesso incubado gerado pela campanha eleitoral acabar.
A questão: e o policial vai poder se aposentar pelos dois? E se ambos forem pelo Estado, um como PM e outro como professor, por exemplo, como fica?
Greve indigesta
A greve dos bancários está perturbando a vida dos cidadãos muito mais do que parece. Piqueteiros postam-se nas portas das agências e até para tratar de algum assunto meramente burocrático o gerente tem que sair, porque eles não deixam o povo entrar.
Os protestos se multiplicam, como o do Sr. Antonio Santos Valverde, da Pituba:
— Comprei um carro e não posso pagar.
Em suma, a greve é contra o povo.
Alvo visível
Aliás, o Sindicato dos Bancários tenta sensibilizar a população com cartazes colocados nas portas das agências.
Um deles diz que o Itaú teve lucro só no primeiro semestre deste ano de R$ 10,75 bilhões, o Banco do Brasil R$ 4,82 bilhões, o Bradesco R$ 8,27 bilhões, o Santander R$ 3,47 bilhões e a Caixa R$ 2.40 bilhões.
O alvo é bem visível. Os bancos ganham muito e eles querem uma pontinha.
Aceno sertanejo
Em meio à seca que torra (literalmente) a agricultura sertaneja, o Senado aprovou o projeto de lei que permite a renegociação das dívidas de produtores rurais contraída de 2001 até dezembro de 2011.
O senador Roberto Muniz (PP) diz que foi uma questão de justiça:
— Mais de 1 milhão de agricultores do semiárido, 200 mil deles na Bahia, serão beneficiados. Isso atenua o flagelo da seca.
O projeto permite rebates (descontos) que podem chegar até a 95%.
Pastores das urnas
Os registros do TSE revelam que o número de pastores candidatos a prefeito, vice ou vereador em 2016 cresceu 61% em relação a 2012. São 287 contra 178.
Até parece que o céu é o poder.
Rebu no Canindé
O Ministério Público de Sergipe entrou na polêmica sobre a morte do ator Domingos Montagner, quinta passada, afogado no Rio São Francisco: quer que a Prefeitura de Canindé faça um monumento que reverencie as atividades circenses em homenagem ao artista.
A Prefeitura de Canindé é responsabilizada por não ter colocado placas sobre o perigo no local e de ter demitido os salva-vidas que trabalhavam na área.

