Integrantes do movimento bolsonarista encaminharam a membros do governo de Donald Trump informações sobre mensagens que apontam uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.
O conteúdo passou a circular após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo de um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF), que reúne mensagens recuperadas de dispositivos ligados a Vorcaro.
Segundo informações da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o material foi organizado e distribuído pelo influenciador Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos. A intenção seria chamar a atenção de integrantes da Casa Branca, do Departamento de Estado e de pessoas próximas ao presidente norte-americano.
Pressão por novas sanções contra Moraes
A iniciativa busca aumentar a pressão para que o governo dos Estados Unidos volte a aplicar contra Alexandre de Moraes a Lei Magnitsky, mecanismo utilizado para impor sanções a estrangeiros acusados de envolvimento em violações de direitos humanos ou corrupção.
Moraes foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025, mas a medida acabou posteriormente revogada.
O episódio envolvendo as novas mensagens pode reacender a pressão de grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro para que o governo Trump volte a adotar medidas contra o ministro brasileiro.
O que dizem as mensagens
De acordo com o relatório da Polícia Federal, as mensagens analisadas indicam contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em diferentes ocasiões.
O material menciona encontros entre os dois no apartamento do ministro, em São Paulo, além da participação de ambos na organização de um evento jurídico realizado em Londres.
Um dos episódios descritos no relatório ocorreu pouco antes da prisão de Vorcaro. Segundo a documentação, o banqueiro teria consultado Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil.
Dias depois, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior.
Escritório da esposa de Moraes também é citado
A investigação também analisa contratos firmados entre empresas relacionadas a Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.
Um dos contratos mencionados previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões. O acordo envolvia serviços jurídicos relacionados a procedimentos e inquéritos em órgãos como as polícias Federal e Civil, além de processos administrativos.
As informações fazem parte do conjunto de documentos analisados no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master e passaram a ganhar repercussão política após a divulgação do relatório da Polícia Federal.
Até o momento, a existência dos contatos e dos contratos, por si só, não estabelece irregularidade ou crime. Eventuais responsabilidades dependem da apuração dos fatos e das conclusões das autoridades competentes.

