Bolsonaro: o mensageiro apequena a mensagem

    Qual a proposta de Bolsonaro? Ditadura. Aí o Congresso vira santo, com todos os seus pecados

    Pergunta Isaias Crisvaldo, morador da Pituba, por que a vida inteira se disse que o Congresso Nacional chantageava os presidentes da República num ‘toma lá dá cá’ que vira ‘ou dá ou cai’, e, agora, Bolsonaro é quem está errado?

    Isaías, prezado. A literatura da ciência política é farta em dissertações sobre valores, pesos e medidas da mensagem e do mensageiro.

    Em linhas gerais, uma boa mensagem para chegar ao destino redondinho prescinde de um bom mensageiro. No bojo da proposta, aparecem as variações, casos como de más mensagens com bons mensageiros ou boas mensagens com mensageiros pífios, como é o caso de Bolsonaro aí.

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    De fato, o chamado presidencialismo de coalizão, nosso modelo, virou o ‘toma lá dá cá’ da forma mais rasteira do jogo político. É a velha política que Bolsonaro, deputado federal por mais de 20 anos, conhece de perto. E prometeu expurgá-la. Perdeu. E, agora, fragilizado, busca uma aproximação no estilo clássico.

    Bolsonaro leva tudo com ar de deboche, até para falar sobre os mortos da Covid. Dispara, com o seu gabinete do ódio, petardos aos quatro ventos, na Justiça, no Congresso, nos aliados, e, às vezes, outros presidentes.

    Ademais, os críticos do presidencialismo de coalizão apresentam alternativas, como parlamentarismo, voto em lista e afins. E qual a proposta de Bolsonaro? Ditadura. Aí o Congresso vira santo, com todos os seus pecados.