Bruno comenta declaração de Maia sobre ACM Neto: ‘Ninguém manda no voto de ninguém’

    Prefeito, no entanto, negou que haja um racha no DEM e disse que os deputados votam "conforme as suas convicções e relações pessoais"

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    O prefeito Bruno Reis (DEM) afirmou ao bahia.ba nesta quarta-feira (27), que defende a “conversa e o diálogo” para tentar construir os entendimentos entre os deputados para a votação na eleição da Câmara dos Deputados, mas garantiu que “ninguém manda no voto de ninguém”. A fala de Bruno é em resposta à declaração do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), que afirmou que está insatisfeito com o ex-prefeito ACM Neto (DEM) por ele estar transformando o Democratas em um “partido das boquinhas”.

    Bruno negou que haja um racha no DEM e disse que os deputados votam conforme as suas convicções e relações pessoais, independente e com todo respeito a presidente de partido, líder de partido, presidente da República, govenador ou prefeito.

    “Quem é que manda em voto de ninguém? Ninguém. Cada um vota como quer. Os deputados votam conforme as suas convicções, e sem falar que, em uma relação de parlamento, tem muita relação pessoal, e a bancada da Bahia tem uma forte relação pessoal com Arthur Lira, sempre teve. É óbvio que como prefeito, com jeito, com conversa e com diálogo, vou tentar construir os entendimentos, mas não vamos ficar patrulhando porque deputado foi para evento de um e de outro”, afirmou Bruno, que disse ainda reconhecer a relação dos parlamentares baianos com Arthur Lira.

    “Eu tenho visto o seguinte: não é só na Bahia, não, que um candidato vai e é recebido por todas as correntes políticas e por todos os deputados. Isso não significa, até porque o voto é ele e a urna, que esse voto vai se confirmar. Não estou com isso dizendo que A, B ou C vai votar em ninguém, nem que a gente vai tentar impor essa ou aquela vontade. Não. Isso é um processo de construção. Agora, tem ainda a formação de blocos na Câmara, coleta de assinaturas, definição dos cargos na mesa…por mais que dia 1º esteja aí segunda-feira, tem muita água para passar por debaixo dessa ponte. E nesse processo de diálogo, nós vamos construindo. Quem acha que com imposição, vai comandar o voto de deputado, esqueça. Fui deputado e sei o que é isso. Isso é construção, diálogo, e é o que eu defendo para a gente reunir um consenso”, completou o prefeito.

    Bruno, no entanto, não quis revelar se está confiante na vitória de Baleia Rossi para a presidência da Câmara, mas afirmou que acredita que Rodrigo Pacheco, candidato à presidência do Senado, leva o pleito.

    “Eu estou confiante na vitória de Rodrigo Pacheco. Espero que se confirme, pois vamos ter um ponto de apoio em Brasília para defender os interesses de Salvador. A eleição da Câmara é uma eleição imprevisível, sempre foi. Não é à toa que Severino Cavalcanti se tornou presidente. Nós já vimos algumas aberrações que ocorrem na política, são normais. Então, o Baleia tem mais apoio partidário, e a gente percebe que o Arthur tem mais apoio pessoal por ter mais relação pessoal com os deputados”, disse, lembrando de quando era deputado e manteve uma relação pessoal com Arthur Lira.

    “Eu, quando era deputado, já viajei com Arthur Lira, tenho uma relação pessoal mais com ele do que com Baleia. Tô dando um exemplo meu, e isso vale para a bancada da Bahia, que sei que eles são amigos pessoais e viajam juntos. Final do ano ele estava aqui, passando com eles. Tem essa lógica, e temos que levar em consideração. Então, eu acho é uma eleição indefinida, pode dar quanto um quanto o outro. Até porque têm nove candidatos e não se pode desconsiderar, apesar dos poderes serem autônomos, independentes e harmônicos, o fato de você ser o candidato com o apoio do governo, apesar dos dois serem da base, mas o Arthur é o preferido e isso tem uma grande relevância nesse processo”, avaliou.