Publicado em 19/11/2015 às 09h29.

Com o Velho Chico seco, o que será de nós se não chover no verão?

Levi Vasconcelos

O deputado Alex Lima (PTN) chama a atenção para um fato instigante: com a Chapada Diamantina em chamas, o Velho Chico enfrentando a pior seca da sua história e 151 municípios em estado de emergência, o que será de nós se no verão não chover?

Alex ressalva que não quer dar uma de ave agourenta, profeta do apocalipse ou que tais, apenas advertir:

– O governo tem que precaver-se ante uma situação tão grave. Não pode ser apanhado de surpresa se o pior acontecer.

E ele está certo. Eduardo Sales (PP), também deputado e ex-secretário da Agricultura, bastante ligado ao agronegócio, nos dias atuais mais aos irrigantes produtores de frutas do Vale do São Francisco, diz que não quer nem pensar numa tragédia dessas.

No trecho entre Petrolina e Juazeiro, um conglomerado de projetos é responsável por algo em torno de 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos. E o pior: no caso de uma debacle gerada por questões climáticas, resgatar o plantio de uvas, mangas e afins é tarefa que duraria em torno de 20 anos.

– Prefiro achar que vai chover. Do contrário, seria o caos.

Esperamos que nada disso aconteça, mas dizem que as pessoas aprendem pelo amor ou pela dor. Infelizmente, o Brasil escolheu a dor. Não é de hoje que se está a dizer que o Velho Chico está morrendo com o desmatamento sistemático dos arredores dos seus afluentes, a retirada de água sem controle e por aí.

Ficar apostando só na chuva é pouco, convenhamos. Mas o que dizer de um país que foi incapaz de prever a possibilidade de um açude de lama artificial se romper, destruir toda uma bacia, a do Rio Doce, e encarar a lastimável situação criada sem saber o que fazer?

Mais ainda, ver a empresa responsável pelo açude, a Samarco, por meio de Kleber Terra, diretor de Operações e Infraestrutura, dizer que ainda não vê motivos para pedir desculpas. Recebeu uma multinha de R$ 250 milhões e pronto.

Num cenário desses, o alerta do Alex Lima é mais que pertinente. Mas infelizmente, ele é só mais um da legião de vítimas que só tem um caminho, rezar.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

PUBLICIDADE