‘Desmoraliza a instituição Presidência’, diz Wagner sobre militar preso com cocaína

    Em discurso no Senado nesta quarta, petista afirmou ter ficado entre o “susto” e a “perplexidade”

    Foto: Pedro França/Agência Senado

    O senador Jaques Wagner (PT) disse nesta quarta-feira (26) estar “assustado” e “perplexo” com o episódio do sargento Aeronáutica brasileira detido no aeroporto de Sevilha, na Espanha, com 39 kg de cocaína na mala. O militar, identificado como Manoel Silva Rodrigues, integrava a comitiva de apoio à viagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que participará em Tóquio, no Japão, da reunião do G20. Ele foi preso na terça (25).

    “A gente fica entre o susto, a perplexidade e a expectativa. Não é bem o papel da Abin [Agência Brasileira de Inteligência, apesar de que seja o papel do GSI [Gabinete de Segurança Institucional], sob o comando do general Heleno, tratar das viagens, da segurança. Eu me lembro que, quando eu era ministro, a gente embarcava na base aérea e tinha aquele raio-X. Agora, imagine a petulância de alguém entrar com 30 e tantos quilos [no avião presidencial]”, declarou o petista em discurso no Senado.

    Segundo Wagner, o caso, embora ainda em apuração, arranha a imagem do Brasil em âmbito internacional.

    “O valor estimado é de R$ 10 milhões. É o que? Para desmoralizar o país? Para desmoralizar a instituição Presidência da República? Porque vira lá fora um negócio complicado pra nós. Porque a notícia que sai é ‘O avião do presidente da República do Brasil carregava X quilos de cocaína’. Eu não sei se ele [o militar] foi posto lá a serviço de alguém, se era um traficante. Porque realmente é de uma petulância”, acrescentou o ex-governador da Bahia.