Diretor do Inpe critica Bolsonaro: ‘Atitude pusilânime, covarde’

    Presidente questionou veracidade de dados sobre desmatamento na Amazônia e acusou Galvão de estar "a serviço de alguma ONG"

    O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Galvão, afirmou que declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro sobre desmatamento na Amazônia mais parecem “conversa de botequim”.

    Em café da manhã na última sexta-feira (19) com jornalistas estrangeiros, o chefe do Palácio do Planalto disse que os dados do órgão são mentirosos e acusou o diretor do Inpe de estar “a serviço de alguma ONG”.

    “Até mandei ver quem é o cara que está a frente do Inpe para vir se explicar aqui em Brasília, explicar esses dados aí que passaram na imprensa”, declarou o presidente, na ocasião.

    “A primeira coisa que eu posso dizer é que o sr. Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva para a imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis não somente a mim, mas a pessoas que trabalham pela ciência desse país”, respondeu Galvão, em entrevista à Época.

    “Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos”, acrescentou o diretor do Inpe.