E já que Bolsonaro voltou ao normal, o ‘Renda Brasil’ vai aguentar o tranco?

    A questão é saber se em 2022 isso basta. Será?

    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

     

    Reconstituindo os fatos: Bolsonaro visitava a Catedral de Brasília quando um repórter do jornal O Globo perguntou sobre o que justificaria os repasses de R$ 89 mil do filho, o senador Flávio, para a esposa dele, Michelle: ‘A vontade que eu tenho é de encher sua boca de porrada’.

    João Dória, PSDB, governador de São Paulo, assim que soube, disparou: ‘Bolsonaro voltou a ser Bolsonaro’. Ontem, em solenidade no Planalto, Bolsonaro carimbou, quando disse que a Covid, quando pega ‘um bundão da imprensa, a chance de sobrevivência é menor’.

    A questão: Bolsonaro, que do primeiro dia de mandato até meados da pandemia era contumaz na promoção de atos que reverberavam contra ele próprio, deu uma pausa após ter anunciado a infecção pela Covid e iniciou sua era ‘paz e amor’, e teve uma recaída ou está enrolando a plateia?

    Renda Brasil

    É evidente que Bolsonaro é o mesmo, com a diferença de que já vislumbra 2022, quando tentará a reeleição, e quer agora forjar um clima, daí a ter entrado no ‘toma-lá-dá-cá’ que ele dizia ter ojeriza. Ele quer seguir por aí, e tem como inimigo ele mesmo.

    Mas ele já viu que o discurso mais convincente, ou melhor, o argumento mais persuasivo, é dar dinheiro. Subiu nas pesquisas no embalo da pandemia, tomou gosto e à tarde anunciou o ‘Renda Brasil’, o Bolsa Família dele, com o detalhe: serão 20 milhões de contemplados, contra os 14 milhões do Bolsa. Enfim, ele descobriu que é dando que se recebe.

    A questão é saber se em 2022 isso basta. Será?