Entrevista.ba: Felippe Ramos projeta eleições e analisa democracia

    Ph.D. em Sociologia debate governo Lula, transição energética e geopolítica na América do Sul

    Foto: Aline Gama/bahia.ba

    Em participação no programa Entrevista.ba, com o jornalista Pevê Araújo, o sociólogo e consultor em análise de risco político e geopolítico Felippe Ramos debateu a crise das democracias contemporâneas, o papel estratégico das terras raras e as expectativas para o pleito presidencial de 2026.

    Ao tratar sobre o funcionamento das instituições democráticas e o debate acadêmico em torno da obra Como as Democracias Morrem, Ramos destacou sua perspectiva sobre as pressões políticas atuais.

    “Eu faço até uma propaganda de um livro que estou escrevendo, é um livro em inglês When Illiberalism Unsettles Democracy, que em tradução seria Como o Iliberalismo ataca a Democracia. Eu tenho uma certa discordância do Como as Democracias Morrem, apesar de ser um livro excelente. Deve ser lido, os autores fazem uma contribuição muito importante. Eles discutem as pressões internas nas democracias de forças que tendem a buscar soluções autoritárias para os problemas do país a partir de eleições”, afirmou Felippe, que é Ph.D. em Sociologia pela New School for Social Research de Nova York.

    Felippe analisa terras raras do Brasil

    No campo econômico e geopolítico, o consultor abordou os obstáculos do Brasil para avançar no setor de mineração voltado à transição energética, destacando a liderança chinesa no mercado de terras raras.

    “É por isso que em matemática é importante lembrar que 100% de zero é zero. O Brasil tem uma das maiores reservas de terras raras do mundo, só que quase não explora. A gente tem essa riqueza potencial, mas embaixo do solo não temos capacidade de mineração, não temos capacidade de refino. Hoje, a China basicamente tem quase que o monopólio da produção e refino de terras raras no mundo. São elementos fundamentais para a transição energética”, explicou.

    Enfraquecimento de partidos de centro

    Sobre a instabilidade política na América Latina e no mundo, o pesquisador apontou o enfraquecimento de partidos tradicionais e o desgaste na capacidade de resposta das governanças aos anseios populares.

    “A tendência é esse pêndulo. No caso global há uma erosão dos partidos moderados, tradicionais. As democracias têm se demonstrado pouco responsivas, não têm entregado aquilo que as pessoas esperam dela. Para ser sustentável em longo prazo ela tem que responder aos desejos e anseios do povo”, analisou.

    Quem leva as eleições?

    Por fim, ao projetar o cenário para as eleições de 2026 no Brasil, Felippe Ramos projetou uma disputa com margens estreitas de votos e forte polarização entre os eleitores.

    “Vai precisar do VAR. Realmente é uma polarização muito grande. Eles não mudam voto. Será que esse escândalo sobre um candidato com garotas de programa vai afetar o voto? Talvez de uma pessoa muito religiosa, mas em geral não vai afetar. Pode perder ali 1%, o que pode ser suficiente para definir eleição. Essa eleição vai ser definida na margem”, concluiu.

    Confira a entrevista na íntegra