‘Eu sou doente?’, questiona senador gay a Aras sobre carta contra união LGBT

    Novo procurador-geral da República assinou carta de Associação de Juristas Evangélicos que defendia a "cura gay"

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

    Durante a sabatina no Senado do indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República, Augusto Aras, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) fez um questionamento mais incisivo do que os demais.

    Primeiro homossexual assumido a assumir o cargo, o parlamentar perguntou se Aras não reconhecia sua família, haja vista que o procurador assinou uma carta da Associação Nacional de Juristas Evangélicos se comprometendo com a pauta cristã.

    “Eu sou delegado de polícia há 27 anos, eu sou professor de Direito há 20, estou senador da República. Eu tenho muito orgulho da minha família, eu tenho um filho. O senhor não reconhece a minha família como família? Eu tenho subfamília? Porque esta carta diz isso, senhor procurador. E diz mais: estabelece cura gay. Eu sou doente, senhor procurador?”, questionou Contarato.

    Em nove páginas, a carta sustenta, entre outros pontos, que o procurador, se for aprovado para assumir o cargo, defenderá a preservação da família “como heterossexual e monogâmica”. Também condiciona seu apoio ao processo de “cura gay”, “desde que seja uma decisão de consciência livre, deve ser facultado a qualquer pessoa tornar-se paciente em tratamento de reversão sexual, por motivos religiosos ou não”.

    A suposta “cura gay” ou “terapia de conversão” é uma prática pseudocientífica não reconhecida pela psicologia clínica e banida em 15 estados americanos. Em resposta aos questionamentos, Aras disse não ter lido a carta e que “a Constituição disciplina essa questão de uma forma não contemporânea”, mas que ele “compreende todos os fenômenos sociais e humanos”.