Publicado em 23/12/2019 às 11h20.

Irmã Dulce: ‘Meu partido é o povo’

Muitos dizem isso, mas só ela deu testemunho prático. Não é à toa que virou santa

Levi Vasconcelos
Foto: Divulgação/Arquidiocese de Salvador
Foto: Divulgação/Arquidiocese de Salvador

 

Os piores dias de Irmã Dulce em matéria de preocupação foram os que antecederam o Natal. Ela tinha enormes dificuldades para pagar o 13º. Era um Deus nos acuda. Mas amenizado pela ajuda do alto, ela sempre achou uma solução, muitas vezes contando com ajuda amiga de Ângelo Calmon de Sá, Paulo Sérgio Tourinho e também do cantor Roberto Carlos, que nunca gostou de divulgar isso.

Quem nos conta isso é o jornalista Valber Carvalho, que ainda neste ano dá o ponto final no primeiro volume de ‘A Vida de Irmã Dulce’, após seis anos e meio, ou 78 meses cravados, de intensa pesquisa. Para alertar: “Muitas instituições de caridade enfrentam o mesmo problema nesta época do ano. Quase todas”.

Diferença

Valber encantou-se com a personagem pesquisada. Diz que ela, por suas boas práticas, conseguiu o respeito de gente de todas as religiões.

— O Brasil é um país cristão, e Irmã Dulce foi uma cristã para cristão nenhum botar defeito. Era uma pessoa muito acima de tudo. Dela, o melhor é o exemplo.

Ao propor-se escrever sobre Irmã Dulce, ele diz que nem pensou em canonização. Seis anos atrás, isso não tinha data nem previsão. Mas valeu a pena.

— Uma vez perguntaram a Irmã Dulce qual era o partido dela. Ela respondeu: ‘Meu filho, meu partido é o povo’.

Não é à toa que virou santa. Muitos dizem isso, mas só ela deu testemunho prático.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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