Presente no evento que marcou a assinatura ordem de serviço pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), da Arena da Capoeira, na Praça Marechal Deodoro, no Comércio, o secretário Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas de Salvador (Seinfra), Luiz Carlos (Republicanos), respondeu ao bahia.ba sobre se há alguma contradição entre a administração municipal vetar um projeto de lei aprovado na Câmara de Salvador que pretendia instituir a capoeira nas escolas municipais e a gestão fazer um equipamento de acolhimento de praticantes e admiradores da arte-luta na cidade.
De acordo com a prefeitura, a intervenção terá investimento de R$ 2,6 milhões e prazo de 12 meses de conclusão. Além de ser palco de rodas e apresentações, a nova arena terá um monumento composto por quatro arcos de 12 metros de altura em aço, representando quatro berimbaus que se unirão ao topo, dando o formato de uma grande cabaça e uma espécie de templo. No local ainda haverá 10 esculturas em homenagem a mestres capoeiristas tocando os principais instrumentos musicais da roda da capoeira.
A respeito do veto, Luiz Carlos defendeu a decisão do prefeito Bruno Reis. O titular da Seinfra, que é vereador licenciado, disse do seu compromisso em sua atividade parlamentar em defesa da capoeira e que o texto, apresentado pelo vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), não teve prosseguimento por não ter elementos jurídicos que o respaldasse.
“Quando fui eleito, em 2013, a minha primeira ação foi criar a frente parlamentar em defesa da capoeira. A partir daí, nós começamos uma luta para inserir a capoeira nas escolas. Eu fiz 10 audiências procurando uma justifica que pudesse colocar em prática a capoeira nas escolas. Da forma como Augusto quis, não encontramos elementos jurídicos que respaldasse pra isso”, destaca Luiz Carlos.
Segundo ele, a forma de conseguir inserir a capoeira nas escolas já estava presente em um texto que já existia e que o vereador da oposição queria alterar. “Augusto queria alterar sem dialogar. Se ele tivesse dialogado comigo, eu ia dar pra ele o subsídio. Quando, no momento da votação, eu disse pra ele, você sabe que você é jurista. Sabe que da forma como está não é possível passar. E ele disse que ia deixar assim mesmo, mesmo que não tenha efetividade e colocou para ser votado. O projeto foi vetado porque ele é inconstitucional”.
Segundo o vereador licenciado, a capoeira nas escolas já existe e ela foi colocada em prática em 2020. “Infelizmente, pela chegada da pandemia, houve aí um intervalo grande, mas já estamos trabalhando no processo internamente na Fundação Mário Leal e na Fundação Gregório de Mattos, já tivemos reuniões com os secretários e com o corpo técnico e vamos colocar a capoeira nas escolas, mas com base na lei nº 9072, que reconhece a capoeira como elemento cultural, esportivo e educacional. Mas ela não obriga o município, ela reconhece, e diante desse reconhecimento, a prefeitura pode ter a capoeira nas escolas no contra turno e vamos ter”.

