Lula defende CNBB após acusação feita por Flávio Bolsonaro

    Presidente afirmou ser “inaceitável” que candidato desrespeite religiosos por interesses eleitorais e manifestou solidariedade à CNBB

    Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Carlos Moura/Agência Senado

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota de repúdio aos ataques feitos pelo candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Igreja Católica. A manifestação ocorre em meio à polêmica envolvendo uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida na reta final do primeiro turno das eleições.

    Na nota, Lula afirmou ser “inaceitável” que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitorais e defendeu o respeito à diversidade de crenças no Brasil.

    “Diante dos ataques de Flávio Bolsonaro à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e à Igreja Católica, manifestamos o nosso repúdio”, diz o texto.

    O presidente também afirmou que ataques a uma religião atingem todas as religiões e manifestou solidariedade aos bispos, aos devotos de Nossa Senhora Aparecida e aos brasileiros de diferentes crenças.

    A manifestação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro acusar pessoas ligadas à CNBB de terem ajudado o PT na disseminação de uma informação falsa segundo a qual ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A acusação foi feita durante uma agenda de campanha em Goiânia, no domingo (27).

     

    Como começou a polêmica

    A controvérsia começou após circular nas redes sociais a informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito presidente.

    O boato ganhou força após uma fala do senador sobre a possibilidade de, em um eventual governo, decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A partir disso, passou a circular a interpretação de que Flávio retomaria uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que previa a retirada do título concedido à santa. O projeto foi arquivado no ano seguinte.

    Flávio negou qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.  Durante uma campanha em Goiânia (GO) realizado último domingo (27), o senador disse que a informação estaria sendo divulgada pelo PT havia alguns dias e teria contado com a participação de pessoas ligadas à CNBB.

    Em meio à repercussão, o senador afirmou que a polêmica teria envolvido uma “guerra espiritual” e acusou o PT de tentar colocar católicos e evangélicos em conflito.

    CNBB nega envolvimento

    A CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. Em nota, a entidade afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e questionou acusações feitas sem fatos ou provas.

    A entidade também declarou que não participa de estruturas político-partidárias e que não aceita ser utilizada como instrumento de disputa eleitoral.