Maia critica interferência de Bolsonaro: ‘Transformar em anexo do Planalto’

    Nesta quarta (26), presidente admitiu interesse em eleição da Câmara: "Vamos, se Deus quiser, participar, influir na presidência da Câmara", disse

    Foto: Maryanna Oliveira/Agência Câmara

    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira (27) que o presidente Jair Bolsonaro quer transformar o parlamento em um anexo do Palácio do Planalto. De manhã, após encontro com deputados do PSL, o chefe do Executivo admitiu a intenção de influenciar na eleição da Casa, prevista para a próxima semana.

    “É um alerta aos deputados e deputadas que a intenção do presidente é transformar o parlamento num anexo do Palácio do Planalto, o que enfraquece o mandato de cada deputado e de cada deputada e, princialmente, no protagonismo da Câmara dos Deputados nos debates com a sociedade”, disse Maia, segundo informações do G1.

    O democrata tenta emplacar como sucessor o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), que disputa a preferência dos pares com o deputado Arthur Lira (PP-AL), nome de Jair Bolsonaro para a eleição da Casa. Maia usou a declaração do presidente para reforçar a qualidade de seu candidato.

    “(…) é a prova de que precisamos de um candidato que dialogue, que tenha equilíbrio como o Baleia. Que não seja de oposição ao governo, que o Baleia não é, mas que entenda que o Parlamento é outro poder. E, sendo outro poder, o fortalecimento de cada um dos mandatos s edá exatamente com a liberdade que o presidente da Câmara tem para construir pautas, ouvindo a sociedade, ouvindo o governo, mas, principalmente, ouvindo cada um dos 512 deputados na Câmara”, destacou.

    Rodrigo Maia criticou as emendas prometidas pelo Palácio do Planalto aos deputados que apoiarem Lira, estimadas em R$ 20 bilhões. Na avaliação do presidente da Câmara, as medidas são “extraorçamentárias”, são adicionais às emendas que já constam na proposta de Orçamento de 2021 em tramitação no Congresso.

    Segundo Maia, o governo e Lira não têm qualquer condição de cumprir essa promessa por falta de espaço fiscal.

    “Além do toma lá, dá cá, é uma peça de ficção você achar primeiro que o Parlamento vai estar disposto a isso”, acrescentou.