Marta Rodrigues critica título a Flávio na Câmara: ‘Moeda de troca’

    Vereadora do PT classifica honraria como instrumentalização política

    Foto: André Souza / bahia.ba

    A concessão do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL) gerou reação da oposição na Câmara Municipal de Salvador. Em declaração aob, a vereadora Marta Rodrigues (PT) rechaçou a homenagem aprovada no Legislativo soteropolitano, classificando a medida como uma instrumentalização política e um desrespeito à história da capital baiana.

    Segundo a parlamentar, a honraria está sendo utilizada como moeda de troca política para beneficiar um nome que, em sua avaliação, não possui serviços prestados à cidade.

    “A bancada de oposição votou contra. É lamentável ver o nível de oportunismo, com a instrumentalização de uma das mais importantes honrarias da história de Salvador para tentar arrancar dividendos eleitorais a quem nada significa para a cidade. O título de Cidadão Soteropolitano não é brinde de campanha, moeda de troca nem ferramenta para agradar aliados políticos. Deve reconhecer quem contribuiu com a cidade, seu povo e o enfrentamento das desigualdades, exatamente o que Flávio Bolsonaro nunca fez pela capital baiana”, disse.

    Associação à PEC das Praias e pautas controversas

    A petista também destacou a incompatibilidade do perfil do homenageado com os interesses de Salvador. Marta Rodrigues lembrou a ligação do parlamentar com propostas legislativas polêmicas, como a chamada “PEC das Praias”, e com discursos que historicamente ferem a população nordestina.

    “Pior: Flávio pertence a um campo político que já disseminou discursos de ódio contra nordestinos, alimentando a xenofobia e a discriminação. Também está associado à proposta da chamada PEC das Praias, que pode abrir caminho para a transferência de terrenos da marinha a particulares e gerar restrições ao acesso público. É uma contradição homenagear alguém ligado a uma pauta tão controversa em Salvador, cidade cuja identidade, economia e vida cotidiana estão profundamente ligadas à sua extensa orla litorânea”, completou.

    Defesa da identidade e da história de Salvador

    Por fim, a vereadora ressaltou que a trajetória de Salvador exige respeito por parte dos representantes públicos e que honrarias municipais não deveriam ser banalizadas por conveniências partidárias.

    “Salvador tem uma história marcada pela resistência, pela luta contra a opressão e pela força de seu povo negro, tudo que vai de encontro a Flavio. Usar uma honraria dessa dimensão para atender a interesses eleitorais é desrespeitar essa trajetória e banalizar o reconhecimento público. O povo soteropolitano e sua história merece respeito”, finalizou a vereadora.