Publicado em 16/06/2026 às 08h29.

Médicos que atenderam Bolsonaro na prisão denunciam calote em plantões

Profissionais de saúde alegam que estão sem receber quase R$ 15 mil por plantões de até 24h na 'Papudinha'

Daniel Serrano
Foto: Reprodução, redes sociais/@jairbolsonaro

 

Ao menos três médicos que atenderam o ex-presidente da República Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha, afirmam que não receberam os valores referentes aos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. As informações são do site Metrópoles. 

De acordo com a publicação, os médicos são servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e foram convocados para realizar plantões no formato Trabalho por Período Definido (TPD). O chamamento ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ter determinado uma assistência médica 24h para Bolsonaro.

O formato ‘Trabalho por Período Definido’ é adotado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal para compensar eventuais déficits de servidores e evitar que falte assistência à população. Nessa modalidade de trabalho, o servidor trabalha em dias ou horários fora do turno habitual para substituir outro trabalhador ou reforçar um setor. O profissional é remunerado para exercer a atividade.

No entanto, um dos servidores, que optou por manter o anonimato, alga ter realizado oito plantões, alguns noturnos e nos fins de semana, de 12 e 24h. O profissional diz ter quase R$ 15 mil para receber pelas horas trabalhadas.

O servidor contou com ele e os demais plantonistas tinham que bater ponto na SES e que tinha que comprovar que estavam na Papudinha. No Batalhão, eles precisavam assinar um caderno para a passagem de plantão. 

No entanto, a partir de fevereiro, os profissionais notaram que os plantões não foram incluídos no contracheque e foram comunicados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) que as folhas de pontos deveriam ser protocolados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). 

Além do registro no sistema dos servidores públicos, a equipe médica de Bolsonaro usava um carimbo como forma de registrado em folhas do caderno.

Os médicos atendiam única e exclusivamente Bolsonaro, que recebeu os cuidados da equipe durante os 57 dias em que esteve detido na Papudinha. Um dos profissionais contou que o atendimento ao ex-presidente acontecia ao menos três vezes por dia “e até durante a noite, enquanto ele dormia”. “Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, disse. 

Os plantonistas foram dispensados no dia 26 de março, quando Moraes concedeu a prisão domiciliar a Bolsonaro. Desde então, eles esperam pelo pagamento do serviço prestado. Caso o pagamento não seja efetuado nos próximos dias, os profissionais pretendem acionar a Justiça para receber pelos plantões realizados.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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