Miguel Reale Jr: Bolsonaro dá ‘tapa na cara da civilização’ ao exaltar Ustra

    Um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, jurista foi primeiro presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos

    Jurista Miguel Reale Jr (Foto Zeca Ribeiro/Agência Câmara)

    Um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o jurista Miguel Reale Jr. disse nesta quinta-feira (8) que o presidente Jair Bolsonaro dá “um tapa na cara da civilização” ao chamar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado em segunda instância por tortura e sequestro na ditadura militar, de “herói nacional”.

    “Como ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e tendo sabido o que se passou no Doi-Codi, [me] causa a maior indignação. [É] um tapa na cara da civilização”, declarou o advogado à Folha.

    Ex-ministro da Justiça no governo FHC, Reale Jr. foi o primeiro presidente do colegiado, cargo que ocupou entre 1995 e 2001.

    Atualmente, o órgão está vinculado ao atual Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

    Segundo o jurista, a homenagem de Bolsonaro a Ustra “constitui flagrante falta de decoro” e “chega a configurar incitamento a um crime gravíssimo”, já que a Constituição considera a tortura crime imprescritível.