O impasse entre Estado e Município quanto à integração dos ônibus urbanos ao metrô vai além de questões físicas, mas passa principalmente por aspectos tarifários, revelou nesta segunda-feira (31) o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
De acordo com o democrata, o problema reside no fato de que, para viabilizar o modal sobre trilhos, o governo “assumiu compromissos muito representativos do ponto de vista orçamentário e financeiro” e agora exigiria uma contrapartida municipal impossível de ser cumprida.
“Historicamente, Salvador nunca pagou subsídio para o transporte publico. […] Não temos recursos para isso, para entrar com subsídio. Não sendo dessa maneira, e não quebrando o sistema de ônibus, a gente está disposto a fazer tudo”, disse o prefeito, em entrevista coletiva, nesta segunda-feira (31), durante o evento de assinatura de contrato de financiamento do BRT entre o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, no Sheraton Hotel da Bahia, no Campo Grande.
Segundo ele, o Thomé de Souza não tem colocado dificuldades nas negociações com o Palácio de Ondina. “Da parte da prefeitura, não tenha dúvida que nós defendemos a integração. Queremos que a integração seja plena, que a pessoa que pague por uma passagem possa andar o mesmo tempo de ônibus e de metrô. As conversas estão caminhando, o Ministério Público está participando, como intermediário desse processo, e a gente espera que o governo do Estado tenha a mesma sensibilidade, o mesmo bom senso que a prefeitura está tendo. Tudo aquilo que for possível fazer, nós faremos para garantir a integração, mas não uma integração mais ou menos”, disse.
Neto condenou ainda o sistema alternativo anunciado pelo governador Rui Costa (PT) para atender às comunidades que estejam a um raio de 5 km das estações do metrô. “Esse sistema alimentador não é o melhor para o cidadão, porque isso obrigaria o cidadão a pegar mais ônibus, colocaria novos veículos, impactando no trânsito da cidade”, declarou.
Se a polêmica segue no que se refere aos coletivos tradicionais da cidade, em relação ao BRT, de acordo com o gestor soteropolitano, não haverá qualquer impedimento. “O BRT já nasce integrado com o metrô, seja na Estação da Lapa, seja no Iguatemi. […] Nós estamos viabilizando a segunda etapa do BRT. Quando a prefeitura der início às obras da segunda etapa, nós vamos ter uma perspectiva de integração plena dos dois principais centros econômicos de Salvador, o Centro Antigo, através da Estação da Lapa, até a região do Iguatemi, considerado o centro moderno”, afirmou.
O prefeito prometeu assinar a ordem de serviço da primeira etapa no mês de setembro e estimou um prazo de conclusão em 28 meses. O segundo trecho, da Lapa ao Parque da Cidade, deverá ser autorizado em dezembro. O investimento é de R$ 412 milhões, dos quais R$ 300 milhões do Orçamento Geral da União (OGU) e R$ 112 milhões de financiamento junto à Caixa.

