‘O governo ainda quer controlar o Parlamento pelo toma lá, dá cá’, diz relator da LDO de 2024

    Danilo Forte afirma que presidente da República tenta empurrar ônus de medidas amargas para o Congresso e atua como quem joga ‘bola nas costas’ do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

    Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

    Depois de idas e vindas na negociação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) chegou a uma conclusão sobre a estratégia do governo no Congresso. No seu diagnóstico, o governo simplesmente não tem estratégia e, muitas vezes, age como se fosse oposição para “ficar bem” na foto com a opinião pública. A informação é de uma entrevista do Estadão.

    “O governo está jogando bola nas costas do Haddad”, disse Forte ao Estadão, numa referência ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    O Estadão aponta que relator da LDO deste ano, o parlamentar afirmou que a economia terá muito peso nas eleições de 2026, quando o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende disputar novo mandato. Mas, para ele, o chefe do Palácio do Planalto quer aumentar a arrecadação jogando o ônus de medidas amargas do outro lado da Praça dos Três Poderes, na direção do Congresso.

    As eleições municipais de outubro são vistas por Forte como a antessala da disputa de 2026 ao Palácio do Planalto, quando seu partido União Brasil – hoje no comando de três ministérios – já pretende estar casado de papel passado com outras siglas de direita, como o PP do presidente da Câmara, Arthur Lira. É de uma possível aliança entre essas legendas que nascerá o eventual desafiante de Lula, acrescenta o Estadão.

    “Tem muita gente dentro do governo pensando em suceder o Lula”, constatou o relator da LDO, sem querer citar nomes. “Cada um faz a sua agenda própria e isso enfraquece a ação do próprio governo.”

    Ainda segundo o Estadão, Forte propôs um calendário para pagamento de emendas parlamentares, rejeitado por Lula. O veto será analisado em sessão do Congresso nesta terça-feira (28), ao lado de outros 16. “O governo ainda quer controlar o Parlamento pelo toma lá, dá cá”, criticou o deputado.