Odebrecht repassou R$ 100 milhões para cervejaria custear políticos

    A Lava Jato havia identificado que executivos ligados à empreiteira e a empresa de bebidas eram sócios no banco Meinl Bank Antígua, utilizado pela Odebrecht para operar contas no exterior

    Foto: J.F.Diorio/ Estadão Conteúdo
    Odebrecht (Foto: Divulgação)
    Odebrecht (Foto: Divulgação)

     

    A Odebrecht contou, em seu acordo de colaboração com a Justiça, detalhes a respeito da sua relação com a família Faria, proprietária do Grupo Petrópolis. A Lava Jato havia identificado que executivos ligados à empreiteira e a empresa de bebidas eram sócios no banco Meinl Bank Antígua, utilizado pela Odebrecht para operar contas do departamento da propina no exterior.

    Na delação, além de assumirem a sociedade com Vanuê Faria, sobrinho do dono do Grupo, Walter Faria,executivos da Odebrecht contarão como utilizaram empresas dos donos da cervejaria Itaipava para distribuir propina a políticos por meio de doações eleitorais e entregas de dinheiro vivo.

    Entre aqueles que participaram das negociações com integrantes da família Faria, estão Benedicto Júnior, o BJ, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e Luiz Eduardo Soares, o Luizinho, funcionário do Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina.

    Nas negociações, Luizinho prometeu revelar como a Odebrecht depositou cerca de R$ 100 milhões em uma conta operada pelo contador do Grupo Petrópolis no Antígua Overseas Bank (AOB) e construiu fábricas em troca de dinheiro no Brasil disponível para campanhas eleitorais e pagamento de propina.

    No caso das doações, depois da compensação através de pagamentos no exterior, o Grupo Petrópolis utilizava algumas de suas empresas para efetuar os repasses para campanha de políticos por ordem da Odebrecht. Pelo menos duas empresas, segundo Luizinho, a Praiamar e Leyros Caxias, teriam sido utilizadas para escoar o dinheiro do departamento de propina para campanhas nas eleições de 2010 e 2012.

    Doações

    Os delatores prometeram entregar, também, as planilhas das contribuições eleitorais executadas pelo Grupo Petrópolis e os documentos relacionados ao controle da movimentação real/dólar entre as contas das empresas.

    Entre os políticos que receberam as doações da empresa, estão alguns que já apareceram nas delações da Odebrecht. Como os repasses em 2010 a Aécio Neves (PSDB-MG), no valor total de R$ 120 mil, Ciro Nogueira (PP) com R$ 200 mil, o tucano Arthur Virgílio (R$ 100 mil), o democrata Heráclito Fortes (R$ 100 mil), o tucano Jutahy Magalhães (30 mil).

    Para os pagamentos em espécie, segundo Luizinho, a Odebrecht acionava o operador Álvaro José Galliez Novis para distribuir o dinheiro fornecido pelo Grupo Petrópolis. De acordo com Maria Lúcia Tavares, secretária do departamento da propina, Novis atuava sob o codinome da conta “Carioquinha” e “Paulistinha” e era diretor da Hoya Corretora de Valores. Segundo relatório da PF, ele é sobrinho de Álvaro Pereira Novis, ex-dirigente da Odebrecht na área de apoio e desenvolvimento de oportunidades e representação.

    Os investigadores já haviam encontrado indícios da relação entre o Grupo Petrópolis e a Odebrecht na 23.ª fase de 279 políticos de 22 partidos. Com Benedicto Júnior, a Polícia Federal apreendeu uma planilha na qual “Itaipava” está anotada à mão ao lado de um repasse de R$ 500 mil para Luís Fernando Pezão (PMDB), atual governador do Rio de Janeiro.