PF aponta 232 ligações entre ACM Neto e o Rei do Lixo

    Apesar da ligação entre Neto e o Rei do Lixo, o ministro Nunes Marques rejeitou mandados contra Neto

    Foto: Jorge Jesus/Bahia.ba - Reprodução

    A Polícia Federal (PF) apontou que o candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), manteve 232 chamadas de WhatsApp com o empresário José Marcos de Moura, mais conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.

    As informações integram elementos da Operação Overclean, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos e irregularidades em contratos. Segundo a PF, os contatos fazem parte dos elementos utilizados para apontar uma possível relação política entre ACM Neto e o grupo investigado. As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico.

    O Rei do Lixo já foi indiciado por suspeitas relacionadas a corrupção, fraude em licitação e desvio de dinheiro. Apesar da ligação entre o político e indiciado, o ministro Kassio Nunes Marques do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na última quinta-feira (17), o pedido da PF para realizar mandados de busca e apreensão contra ACM Neto durante uma nova fase da investigação.

    O ministro autorizou, por outro lado, outros 24 mandados em seis estados: Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Na avaliação apresentada na decisão, os elementos reunidos não foram considerados suficientes para justificar uma busca contra o candidato.

    Na decisão, o ministro mencionou uma conversa relacionada à escolha de cargos públicos e afirmou: “Durante a negociação dos cargos de secretários da PBH, José Marcos de Moura comenta com o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman que precisaria consultar ACM neto antes de definir quais as pastas seriam ocupadas por seus indicados”, disse o ministro Kassio Nunes Marques na decisão.

    Ministro menciona 232 chamadas entre os dois

    Nunes Marques também citou diretamente a quantidade de contatos identificados pela investigação e a interpretação feita pela Polícia Federal sobre a posição de ACM Neto no grupo investigado. “Diálogos examinados revelou um personagem superior a José Marcos de Moura na hierarquia da organização investigada, qual seja, a pessoa de ACM Neto. Acrescenta que, entre agosto e dezembro de 2024, Marcos Moura e ACM Neto conversaram 232 vezes por chamadas via aplicativo”, disse Kassio.