Publicado em 01/08/2026 às 11h10.

PT lança jingle estilo ‘gospel’ para Jerônimo, Wagner e Rui

Letra da música trata os candidatos petistas da majoritária como "três irmãos"

Lula Bonfim
Foto: Divulgação / PT-BA

 

A convenção baiana da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, se iniciou neste sábado (1°), ao som de um jingle diferente para as tradições petistas da Bahia: em estilo gospel.

Realizado no Parque de Exposições Agropecuárias, em Salvador, o evento oficializou as candidaturas de Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) a senadores, e de Jerônimo Rodrigues (PT) a governador da Bahia.

Os três candidatos petistas são chamados na letra do novo jingle de “três irmãos”, em referência à aliança histórica entre eles: ao deixar o governo da Bahia em 2014, Wagner indicou à sucessão Rui; que, por sua vez, indicou Jerônimo em 2022.

Rui e Wagner se conhecem há mais de 40 anos

A imagem vendida pelo jingle, porém, contrasta com informações de bastidores frequentemente apuradas pelo bahia.ba e outros veículos de comunicação do estado: a de que Rui e Wagner nutrem uma rivalidade intensa pela liderança do grupo político no estado.

Wagner e Rui se conheceram na década de 1980, enquanto trabalhavam no Polo Petroquímico de Camaçari. Juntos, se tornaram lideranças do Sindiquímica, junto a outras figuras que ganharam força política mais tarde, como Moema Gramacho (MDB), ex-prefeita de Lauro de Freitas.

Eleito governador em 2006, Wagner trabalhou para dar força política ao amigo Rui Costa, que assumiu secretarias de estado, se elegeu vereador de Salvador e, posteriormente, um dos deputados federais mais bem votados do estado.

Em 2014, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) queria José Sérgio Gabriellli (PT), ex-presidente da Petrobras, como candidato a governador da Bahia. Wagner enfrentou a vontade presidencial e indicou o amigo Rui, que se elegeu no primeiro turno.

Desentendimento entre as esposas iniciou afastamento pessoal

Com a posse de Rui em 2015, as coisas começaram a mudar. Um desentendimento entre a ex-primeira-dama Fátima Mendonça, esposa de Wagner, e a então primeira-dama Aline Peixoto (atualmente, conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios) iniciou o afastamento entre os amigos.

Antes “unha e carne”, Rui e Wagner passaram a se evitar em eventos públicos. Nos desfiles cívicos de 2 de Julho, um anda de um lado e o segundo caminha de outro, alimentando a informação que chega sempre nos bastidores.

Aliados de Wagner falam mal de Rui “em off” para a imprensa. E vice-versa. Assessores garantem que ambos os lados se movimentam para garantir a liderança do grupo político petista na Bahia. Os dois, porém, negam a briga e reforçam a manutenção da amizade.

Hoje, no início oficial da campanha, o jingle “gospel” e um outro, baseado no Rap do Silva, indicam que a rivalidade deve dar uma parada. A campanha de Rui e Wagner ao Senado será conjunta, buscando levá-los juntos a Brasília e também reeleger Jerônimo.

A busca do PT pelo eleitorado evangélico

A música, no estilo gospel, também chega no momento em que pesquisas eleitorais apontam a preferência dos evangélicos da Bahia pela candidatura do oposicionista ACM Neto (União Brasil).

De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, publicada na última quarta-feira (29), 47% dos evangélicos declaram intenção de votar em ACM Neto, enquanto 29% diz que votará em Jerônimo.

Lula Bonfim
Coordenador de Jornalismo do bahia.ba. Tem experiência na cobertura de política, com passagens pelo Bahia Notícias, BNews e A Tarde. Apaixonado por futebol, por cultura e pela Bahia.

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