“Quer tirar a culpa”, diz Hélio Ferreira ao rebater Bruno sobre ônibus

    Para parlamentar, justificativa guarda contradições numéricas e busca transferir a responsabilidade da gestão do transporte público

    Foto: André Souza / bahia.ba

    O vereador de Salvador e dirigente sindical dos rodoviários, Hélio Ferreira (PCdoB), rebateu publicamente as declarações do prefeito Bruno Reis (União Brasil), que atribuiu os atrasos e a retenção de ônibus nas garagens durante o segundo turno das eleições à atuação de agentes sindicalistas. Segundo a versão do Executivo municipal, a saída dos veículos teria sido atrasada devido à colagem de adesivos com a numeração de candidatos nos coletivos.

    Para Hélio Ferreira, a justificativa apresentada pelo prefeito guarda profundas contradições numéricas e busca transferir a responsabilidade da gestão do transporte público soteropolitano para a categoria dos trabalhadores.

    “Primeiro quero lamentar todo esse episódio que aconteceu. Isso não justifica essa situação de colagem de adesivos como ele vende, até porque tem muitas contradições com relação a essa questão”, iniciou Hélio Ferreira.

    “Acho que não dá para tirar a responsabilidade de si, que o prefeito tem, para jogar em cima de quem não tem culpa. Se ele diz que tinha 75 ônibus com adesivo e a frota tem 1.800 — com mais de 900 carros na garagem segundo o Procon —, como é que se explica que 75 ônibus são os culpados por toda a situação?”, completou o edil.

    Falta de diálogo prévio

    O parlamentar ressaltou que o sindicato da categoria foi surpreendido com o dimensionamento das frotas no início do dia de votação e apontou que não houve convocação por parte da administração municipal para o planejamento conjunto das escalas e folgas da equipe de rodoviários.

    “Nós fomos apanhados de surpresa com essa situação do volume de ônibus. A gente não foi chamado para discutir escalas de ônibus ou de folgas; achamos que estava tudo certinho como foi no primeiro turno. Para a gente foi uma surpresa o que aconteceu. Viemos tomar conhecimento e ciência quando o caos se instalou logo no amanhecer”, explicou o edil.

    Hélio acrescentou que, ao constatar o déficit de transporte nas estações de transbordo e bairros da capital, os representantes dos trabalhadores atuaram diretamente para ampliar a circulação de veículos no turno vespertino.

    “Se tivessem um comportamento melhor, poderíamos ter feito uma força-tarefa em conjunto e ajudado mais ainda do que ajudamos para que à tarde tivéssemos mais ônibus na cidade. Não o número necessário, mas foi o que conseguimos fazer com que acontecesse. São contradições querendo tirar a culpa de quem tem para jogar em quem não tem”, concluiu o vereador do PCdoB.