Região do VLT impulsiona crescimento de Jerônimo em Salvador

    Na capital administrada pelo oposicionista e prefeito, Bruno Reis (União), o petista ampliou sua votação em todas as zonas eleitorais

    Foto: Assessoria/Jeronimo Rodrigues

    A reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno da eleição para o Governo da Bahia, confirmada no último domingo (4), com 55,80% dos votos, também produziu um resultado politicamente relevante em Salvador.

    Na capital administrada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) e considerada um dos principais redutos eleitorais do grupo de oposição, o petista ampliou sua votação em todas as zonas eleitorais na comparação em a eleição de 2022 e o pleito de 2026.

    O movimento foi mais expressivo em regiões que receberam investimentos do Governo da Bahia nos últimos anos, entre elas o Subúrbio Ferroviário, onde a implantação do VLT de Salvador se tornou uma das principais marcas da gestão estadual na capital.

    O desempenho de Jerônimo em Salvador chama atenção porque o município era tratado como um dos principais territórios eleitorais de ACM Neto (União Brasil), candidato derrotado no primeiro turno e aliado político de Bruno Reis.

    Jerônimo cresce em todas as zonas de Salvador

    No comparativo entre o segundo turno de 2022 e o primeiro turno de 2026, Jerônimo passou de 35,49% para 44,51% dos votos válidos em Salvador, uma alta de 9,02 pontos percentuais. Os dados foram extraídos da Justiça Eleitoral e compilados pelo economista baiano Pedro Menezes.

    O crescimento ocorreu em todas as 19 zonas eleitorais da capital. Os maiores avanços foram registrados justamente em áreas do Subúrbio e do entorno.

    Na 17ª Zona Eleitoral, que reúne bairros como Plataforma e Itacaranha, Jerônimo passou de 32,39% em 2022 para 44,62% em 2026, crescimento de 12,24 pontos percentuais.

    Na 4ª Zona, que inclui Paripe, Periperi, Coutos, Fazenda Coutos, Tubarão, São Tomé de Paripe e Ilha de Maré, o petista avançou 11,79 pontos, saindo de 36,63% para 48,42%.

    Também houve crescimento superior a dez pontos percentuais na 9ª Zona, que reúne Ribeira e Bonfim; na 18ª, com Liberdade e Caixa d’Água; na 15ª, que abrange São Caetano e Lobato; e na 3ª Zona, formada por Fazenda Grande do Retiro e Pau Miúdo.

    O avanço não ficou restrito às regiões mais diretamente associadas às obras do governo estadual. Jerônimo também cresceu em áreas como Barra, Graça, Pituba, Itaigara, Imbuí, Boca do Rio, Itapuã e Stella Maris.

    Confira o quadro de votação

    Foto: Reprodução/TSE/TRE

    VLT entra no centro da disputa política

    O desempenho eleitoral do petista recoloca o VLT de Salvador no centro da disputa política entre o governo estadual e o grupo que administra a capital.

    Durante a campanha, Bruno Reis criticou o projeto e questionou o impacto do modal para a população. Em uma declaração, o prefeito afirmou que o VLT “leva nada a lugar nenhum” e questionou a quantidade de pessoas que já utilizavam o equipamento.

    “O VLT, vocês viram, eu pergunto aí: quem foi que já andou de VLT? Ninguém! Que liga Santa Luzia, que é colado na calçada do Lobato.”

    Na mesma ocasião, Bruno Reis também fez críticas a outras obras e projetos conduzidos pelo Governo da Bahia, entre eles a Ponte Salvador-Itaparica, o Teatro Castro Alves (TCA) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

    A promessa dos 500 mil votos para ACM Neto

    O resultado também contrasta com uma previsão feita por Bruno Reis durante a campanha. Em agosto, durante o lançamento da Bolsa Presença do EJA, o prefeito afirmou que pretendia entregar 500 mil votos de Salvador para ACM Neto na disputa pelo Governo da Bahia.

    Na ocasião, Bruno atribuiu a expectativa ao reconhecimento do trabalho realizado por Neto durante os dois mandatos como prefeito da capital.

    “Com fé em Deus e com trabalho, e principalmente pelo candidato que o cidadão soteropolitano conhece, foi oito vezes consecutivas o melhor prefeito do Brasil, transformou essa cidade e encontrou essa cidade destruída, arruinada, e reconstruiu e transformou Salvador”, declarou.

    A previsão, contudo, não se confirmou nas urnas. O resultado de Salvador colocou Jerônimo em posição eleitoralmente mais competitiva na capital do que em 2022.

    Subúrbio teve disputa apertada

    Apesar do crescimento de Jerônimo, a 4ª Zona Eleitoral, uma das principais áreas do Subúrbio, ainda terminou com vantagem para ACM Neto. O candidato do União Brasil recebeu 43.018 votos, contra 40.911 de Jerônimo, uma diferença de 2.107 votos.

    Em percentual, Neto ficou com 50,91%, enquanto Jerônimo alcançou 48,42%.

    O resultado mostra que o avanço do petista não significou uma virada generalizada em todos os territórios, mas uma redução da vantagem da oposição em áreas consideradas estratégicas para a disputa política em Salvador.

    Exoneração após a eleição movimenta Subúrbio

    Dois dias após o primeiro turno, a Prefeitura de Salvador também promoveu uma mudança na estrutura administrativa do Subúrbio. Na terça-feira (6), o prefeito-bairro do Subúrbio/Ilhas, Afonso Celso, deixou o cargo que ocupava havia quase quatro anos.

    A saída foi confirmada pelo próprio gestor nas redes sociais. “Cargos passam, mas o trabalho realizado, as amizades construídas e o bem feito pelas pessoas permanecem”, publicou.

    Jairo Neves assume Prefeitura-Bairro

    Para o lugar de Afonso Celso, a Prefeitura de Salvador anunciou Jairo Neves, conhecido como Jairinho. A troca ocorre justamente em uma região que ganhou peso na leitura do resultado eleitoral de 2026.

    O novo gestor assumiu a direção da Prefeitura-Bairro Subúrbio/Ilhas após o primeiro turno da eleição estadual. O anúncio também foi feito nas redes sociais. “Que seja um novo ciclo de muito trabalho, diálogo e compromisso com a população de toda a região”, publicou.

    O Subúrbio concentrou parte dos maiores avanços percentuais de Jerônimo em relação à eleição de 2022 e se tornou, novamente, território relevante para a disputa política entre o grupo do governador e a oposição liderada em Salvador pelo prefeito Bruno Reis.