O senador eleito e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT), fez críticas neste domingo (25) à nova composição do Senado Federal e defendeu a mobilização popular como estratégia para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovar projetos de interesse da população.
Ao avaliar o resultado das eleições, Rui citou como exemplo o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, que acabou sendo eleito senador por Santa Catarina. Sem citar nominalmente o parlamentar, o petista disse que o estado tem nomes próprios com capacidade para ocupar a vaga, inclusive no campo conservador.
“Eu tenho dificuldade para enxergar que Santa Catarina, por exemplo, não tenha ninguém de direita com qualidade, porque tem”, declarou.
Como exemplo, Rui citou o senador Esperidião Amin, de quem disse ter posições políticas diferentes, mas reconheceu a experiência e a consistência de pensamento. Na avaliação do ex-governador, a decisão dos eleitores catarinenses de escolher um representante de outro estado levanta questionamentos sobre a valorização dos quadros políticos locais.
“É como se dissesse: ‘Aqui no meu estado não tem ninguém de direita ou de centro que preste, e por isso vou eleger alguém que não é daqui, que não mora aqui e que é vereador do Rio de Janeiro’”, afirmou.
Rui também avaliou que Lula terá dificuldades para governar diante de um Senado sem maioria favorável ao Executivo. Para ele, o presidente precisará manter diálogo permanente com a sociedade e estimular a participação popular para avançar com sua agenda.
Rui cita escala 6×1 como exemplo de pressão popular
Ao comentar os efeitos do segundo turno, o senador eleito afirmou que o processo eleitoral reforçou a importância de manter a população mobilizada em torno de pautas políticas.
Rui citou a votação sobre a escala de trabalho 6×1 como exemplo de como a pressão social pode influenciar o posicionamento de parlamentares. Segundo ele, mesmo integrantes de partidos contrários à proposta acabaram votando a favor diante da mobilização popular.
“A votação dos 6 por 1 deixou claro que, quando o povo se mobiliza, mesmo os que são contra votam a favor, porque o constrangimento eleitoral é tão forte que eles não conseguem manter a posição”, disse.
Para o petista, a estratégia será importante para o governo Lula enfrentar a resistência no Congresso Nacional e aprovar medidas voltadas aos interesses da população.
“Num governo Lula, mesmo de maioria contra no Senado, tem que votar com forte mobilização da sociedade para aprovar as pautas de interesse da população”, concluiu.

