A Prefeitura de Salvador está elaborando um plano de contingência para enfrentar os possíveis impactos do El Niño, segundo a vice-prefeita Ana Paula Matos. Em entrevista ao .ba ao vivo, do bahia.ba, ela afirmou que o município tem ampliado o monitoramento climático e adotado medidas de prevenção diante da possibilidade de eventos extremos.
Segundo Ana Paula, Salvador já participa de discussões nacionais e internacionais sobre resiliência urbana e mudanças climáticas. A cidade também atua como referência para municípios da região na preparação para situações de emergência.
Salvador monitora riscos climáticos
A vice-prefeita afirmou que o município utiliza 205 sensores para acompanhar diariamente as condições e os riscos climáticos.
“Salvador já está criando um plano de contingência para o Super El Niño. Nós somos hub de resiliência, a gente cuida das cidades vizinhas”, afirmou.
De acordo com Ana Paula, entre os possíveis efeitos estão períodos de seca, que podem afetar o abastecimento e os níveis das barragens, além de episódios de chuvas fortes.
“Não vai chover o tempo inteiro, mas podem vir chuvas em pouco tempo muito fortes. Então a gente está fazendo os sistemas e análises com a tecnologia para se antecipar”, explicou.
Ondas de calor também preocupam
Outro ponto citado pela vice-prefeita é o aumento das temperaturas. Segundo ela, a Prefeitura tem investido em soluções baseadas na natureza para reduzir os efeitos do calor na cidade.
Entre as ações estão a criação de microflorestas e o plantio de árvores. Ana Paula afirmou que 15 mil árvores foram plantadas somente neste mês.
Ela também fez um apelo para que a população ajude na preservação das mudas.
“Quando a gente planta, a gente coloca lá aquela madeirinha, que é o que vai orientando o crescimento. Tem muita gente tirando, quebrando”, afirmou.
Segundo a vice-prefeita, a Prefeitura também ampliou a produção de mudas e implantou um novo viveiro de restinga na região próxima ao Centro de Convenções.
Mudanças climáticas atingem população mais vulnerável
Ana Paula destacou que os efeitos de eventos climáticos extremos não atingem todas as pessoas da mesma forma.
“Quem é que sofre mais? Quem é mais pobre, que mora na área mais vulnerável e que não tem condição mesmo de sair”, afirmou.
Para ela, o enfrentamento às mudanças climáticas precisa envolver planejamento urbano, tecnologia e participação da população.
“É muito mais do que questão de gestão. É questão de característica”, disse.
A vice-prefeita afirmou ainda que Salvador trabalha na elaboração do Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas, com medidas voltadas à prevenção e à redução dos impactos sobre a população.
‘Eu estudo isso’, diz vice-prefeita
Ana Paula também destacou que acompanha pessoalmente os estudos relacionados aos impactos das mudanças climáticas sobre a população.
“Eu tenho consciência, eu conheço, porque eu estudo isso, tudo que afeta a vida dos meus pobres, eu estou lá”, afirmou.
Ao falar sobre a importância da prevenção, a vice-prefeita relembrou um episódio ocorrido em Águas Claras que, segundo ela, evidenciou como situações aparentemente simples podem ter consequências graves.
Ela relatou o caso de uma criança que perdeu a mãe e a avó após um acidente relacionado a uma bananeira plantada em um terreno vizinho. O episódio, segundo Ana Paula, reforçou a necessidade de atenção aos riscos e de conscientização da população.
A Prefeitura aposta, assim, na combinação entre monitoramento tecnológico, planejamento, arborização, educação ambiental e preparação para eventos extremos para ampliar a capacidade de Salvador de responder aos impactos das mudanças climáticas.

