Um em cada sete candidatos mudou declaração racial entre 2022 e 2026

    Levantamento aponta que 14,4% dos candidatos que disputaram as duas eleições mudaram a informação registrada no TSE

    Foto: Divulgação/gov.br

    Dos 6.315 candidatos que concorreram nas eleições de 2022 e 2026 e possuíam declarações de cor ou raça comparáveis nos dois pleitos, 909 alteraram a informação registrada na Justiça Eleitoral. O número representa 14,4% desse grupo, enquanto 5.406 candidatos, o equivalente a 85,6%, mantiveram a mesma declaração.

    Os dados foram obtidos a partir do cruzamento, pelo CPF, das informações das eleições de 2022 com os registros de candidatura de 2026 disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento foi atualizado após o encerramento dos registros de candidatura.

    Entre as mudanças, a mais comum ocorreu de parda para branca, registrada em 322 candidatos. Na sequência, 317 pessoas que haviam se declarado brancas em 2022 passaram a constar como pardas em 2026. Somadas, as duas alterações correspondem a 639 casos, ou 70,3% de todas as mudanças identificadas.

    Até 12 de agosto, um levantamento anterior havia apontado 786 candidatos com alteração na declaração racial. Com a atualização dos registros, o número subiu para 909.

    Mudanças não indicam, por si só, irregularidade

    A análise considerou as categorias branca, preta, parda, amarela e indígena. Registros classificados como “não informado” ou “não divulgável” foram excluídos, assim como CPFs que apresentavam mais de uma declaração racial diferente no mesmo pleito.

    O levantamento identifica as alterações nos registros, mas não permite determinar a razão individual de cada mudança. Por isso, os dados, isoladamente, não permitem concluir que houve fraude ou irregularidade.

    A socióloga Flávia Rios, professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do núcleo Afro-Cebrap, afirma que oscilações nas declarações raciais já foram observadas em eleições anteriores. Segundo ela, as mudanças podem estar relacionadas à percepção individual sobre a própria identidade, a erros de preenchimento ou à participação das estruturas partidárias no processo de registro.

    “A autodeclaração pode passar por uma mediação da burocracia partidária, o que pode gerar inconsistências entre diferentes eleições”, explica a pesquisadora.

    Ana Cláudia Santano, doutora em Ciências Jurídicas e Políticas e coordenadora-geral da Transparência Eleitoral Brasil, também ressalta que uma alteração não é suficiente para caracterizar uma irregularidade. Entre as possibilidades estão erros no preenchimento, mudanças na percepção da identidade racial ou decisões motivadas por fatores diversos.

    Mudanças registradas de 2022 para 2026: 

    – Parda para branca: 322;

    – Branca para parda: 317;

    – Preta para parda: 132;

    – Parda para preta: 92;

    – Amarela para branca: 12;

    – Parda para indígena: 7;

    – Branca para amarela: 6;

    – Branca para preta: 6;

    – Parda para amarela: 5;

    – Preta para branca: 5;

    – Branca para indígena: 2;

    – Amarela para parda: 2;

    – Indígena para parda: 1.

    Declaração racial em 2026 entre os candidatos que mudaram

    – Parda: 452 (49,7%);

    – Branca: 339 (37,3%);

    – Preta: 98 (10,8%);

    – Amarela: 11 (1,2%);

    – Indígena: 9 (1%).