Veja como será a divisão das emendas dos vereadores de Salvador

    Se aprovado pela Casa, o novo modelo de emendas impositivas deve começar a valer a partir do Orçamento de 2027

    Foto: Reginaldo Ipê

    A Câmara Municipal de Salvador deve votar na próxima segunda-feira (28) o projeto que cria a estrutura para o novo modelo de emendas impositivas dos vereadores. A proposta, enviada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), prevê regras para a destinação e o acompanhamento dos recursos indicados pelos 43 parlamentares.

    O Projeto de Lei nº 273/2026 altera o Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 e tramita em regime de urgência. O texto foi encaminhado pelo Executivo em 21 de setembro, por meio da Mensagem nº 10/2026, e teve a votação acordada pelo Colégio de Líderes nesta quarta-feira (23).

    Apesar de ser analisado ainda em 2026, o novo modelo deve começar a valer a partir do Orçamento de 2027.

    Quanto cada vereador poderá indicar?

    De acordo com o presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), cada vereador deverá contar com uma média de R$ 1,5 milhão em emendas impositivas.

    De acordo com informações obtidas pelo bahia.ba, o valor deverá ser distribuído entre três áreas:

    • 50% para a saúde: cerca de R$ 750 mil por vereador;
    • 25% para a educação: aproximadamente R$ 375 mil;
    • 25% para obras e intervenções urbanas: cerca de R$ 375 mil.

    A divisão estabelece uma parcela obrigatória para áreas consideradas prioritárias e deixa outra parte dos recursos para intervenções urbanas indicadas pelos parlamentares.

    O que muda com o novo modelo?

    A principal mudança está no caráter impositivo das emendas. Com o novo sistema, os recursos indicados pelos vereadores passam a integrar formalmente o planejamento orçamentário do município, dentro das regras estabelecidas pela legislação.

    O projeto prevê a criação de ações orçamentárias específicas para identificar as emendas individuais e organizar sua execução ao longo do período do PPA.

    Segundo a Prefeitura, a medida também busca melhorar a execução orçamentária e preparar o município para a elaboração do Orçamento de 2027.

    Quem poderá acompanhar a aplicação dos recursos?

    O novo modelo deverá contar com mecanismos de acompanhamento pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).

    A proposta também prevê maior transparência sobre a destinação e a execução das emendas, permitindo o acesso público às informações sobre os recursos indicados pelos vereadores.

    Na prática, a intenção é permitir que seja possível acompanhar o caminho da verba, desde a indicação feita pelo parlamentar até a execução pela administração municipal.

    Por que o projeto precisa alterar o PPA?

    O PPA estabelece as diretrizes, objetivos e metas da administração pública para um período de quatro anos. Por isso, a inclusão das emendas individuais exige a criação de mecanismos que permitam compatibilizar os recursos indicados pelos vereadores com o planejamento municipal.

    O PL 273/2026 altera a Lei nº 9.920/2025 e busca adequar o PPA às disposições da Lei Orgânica de Salvador, à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e às orientações do TCM-BA.

    Quando o novo modelo começa?

    Mesmo que seja aprovado pela Câmara ainda em 2026, o modelo não deverá ser aplicado neste ano. A previsão é que as novas regras passem a funcionar a partir do Orçamento de Salvador de 2027.

    A votação de segunda-feira (28), portanto, deve definir a estrutura para que os vereadores possam indicar e acompanhar a execução das emendas impositivas dentro do planejamento orçamentário do município.