O general Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), criticou a aproximação de setores do bolsonarismo com os Estados Unidos e classificou como “vigarice” o comportamento que considera uma forma de submissão política ao governo de Donald Trump.
As declarações foram exibidas nesta sexta-feira (16), no quadro Revelando, do ICL Notícias, apresentado com participação do ator Wagner Moura. Com o tema “Pátria Submissa”, o episódio aborda os interesses norte-americanos nas eleições brasileiras e o debate sobre soberania nacional, alinhamento político e exploração de terras raras.
Durante a entrevista, Santos Cruz afirmou ser de direita, mas rejeitou a associação entre essa posição política e o extremismo que atribui a integrantes do bolsonarismo.
“Olha, eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo, isso aí não é direita, isso é vigarice. Isso aí se chama vigarice, é submissão voluntária”, declarou.
Na sequência, o general afirmou que o governo norte-americano também se beneficia desse alinhamento. “Então, os Estados Unidos também ele se beneficia desse voluntariado, que ele nem precisou recrutar”, completou.
General ironiza apoiadores de Trump
Santos Cruz também criticou o que chamou de “turma do gorro”, expressão usada para se referir a políticos brasileiros que demonstram alinhamento com Trump e com o movimento associado ao lema Make America Great Again (MAGA).
“Uma pessoa que resolve se dedicar à vida pública, pela política, uma pessoa que é deputado, que é um governador, se colocar um gorrinho Make America Great Again, é um negócio assim que você não tem igual no mundo”, afirmou.
O ex-ministro também questionou o discurso de patriotismo adotado por setores políticos que, na avaliação dele, assumem uma postura de subordinação aos interesses dos Estados Unidos.
“Se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo”, criticou.
Ao abordar a relação diplomática entre os dois países, Santos Cruz citou uma fotografia de um encontro com autoridades norte-americanas como exemplo do que considera uma posição subalterna do Brasil no cenário internacional.
“É… aonde você se submete a tirar uma fotografia, que vai entrar para a história, você tem um presidente dos Estados Unidos sentado e você em pé do lado, numa posição de subalterna, né? É uma foto histórica”, declarou.
Terras raras entram no centro das críticas
Outro ponto destacado pelo general foi o interesse dos Estados Unidos nas terras raras brasileiras, grupo de minerais estratégicos para setores como tecnologia, energia e indústria de defesa.
Santos Cruz classificou como “inaceitável” a possibilidade de o Brasil assumir compromissos que, em sua avaliação, possam comprometer o controle nacional sobre esses recursos. A crítica ocorre em meio à discussão sobre os interesses internacionais nas reservas minerais brasileiras e às posições defendidas por aliados de Trump.
“Se você ver o documento aí de terras raras aí, inaceitável, né? Não pode exportar como, como se fosse minério de ferro. Nem minério de ferro você pode […] você não pode vender como se estivesse vendendo o pão no botequim, né?”, afirmou.
O debate ganha dimensão eleitoral diante das posições atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como candidato à Presidência, sobre a relação com o governo norte-americano e a exploração de recursos minerais estratégicos do país.
Santos Cruz cita Brasil como potência regional
Ao final, o general argumentou que Brasil, México e Canadá têm dimensão econômica e estratégica que impede uma relação de subordinação automática aos Estados Unidos.
“Canadá, que é um país grande, o México e o Brasil”, afirmou, ao citar os três países das Américas que, em sua avaliação, não deveriam se sujeitar aos interesses de Washington.
Santos Cruz também destacou o peso econômico brasileiro na América do Sul e alertou para o risco de influência externa por meio de alianças políticas internas.
“O Brasil é 50% do PIB de toda a América do Sul. Então, esses países, eles não, nunca vão se sujeitar a isso, a não ser que eles consigam, dentro de um país, um apoio quase incondicional ou um apoio subalterno”, concluiu.

