Publicado em 03/06/2026 às 16h31.

Wagner critica novo tarifaço dos EUA e atribui responsabilidade a Flávio Bolsonaro

“É inacreditável que um parlamentar brasileiro vá à terra dos outros pedir para retaliar o nosso país”, afirmou o senador

Redação
Foto: Rafael Nunes

 

O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou nesta quarta-feira (3) a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmou que o momento exige união em defesa dos interesses nacionais.

Em entrevista à TV Senado, o líder do governo no Congresso atribuiu ao parlamentar da oposição parte da responsabilidade pelo impasse envolvendo a proposta do governo norte-americano de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo Wagner, divergências políticas internas não podem se sobrepor aos interesses do país.

“É inacreditável que um parlamentar brasileiro vá à terra dos outros pedir para retaliar o nosso país”, pontuou.

Sem citar detalhes da viagem realizada por Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, Wagner afirmou que a postura do senador demonstra ausência de compromisso com os interesses nacionais. O petista também fez uma comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O senador, como candidato, tem se mostrado pior do que o pai”, completou.

As declarações ocorrem após a discussão sobre uma proposta de taxação de 25% sobre mercadorias brasileiras exportadas para os Estados Unidos, além de uma sobretaxa adicional de 12,5% sob a alegação de utilização de trabalho forçado. Para Wagner, os argumentos apresentados para justificar as medidas não encontram respaldo nos dados da relação comercial entre os dois países.

“O Brasil tem déficit comercial na balança. Como alguém que compra mais do que vende sofre sobretaxação? Isso seria normal para quem tem lucro na relação comercial, mas nós temos prejuízo”, afirmou.

O senador também rebateu as acusações relacionadas ao combate ao trabalho escravo, destacando medidas adotadas pelo país nas últimas décadas para endurecer a fiscalização e as punições.

“Eu era ministro do Trabalho quando endurecemos muito as regras contra o trabalho escravo, assinamos todos os acordos internacionais. Temos punições severas, inclusive com perda de patrimônio para quem o utiliza. Não é razoável essa acusação”, acrescentou.

Diante do cenário, Wagner defendeu uma articulação conjunta entre os Poderes para enfrentar a questão. Segundo ele, o tema deve ser tratado como um assunto de Estado e não apenas como uma pauta do governo federal.

“Vou conversar com o presidente. Teremos uma reunião para definir orientações, pois essa questão não é apenas do Executivo, é do Brasil”, exaltou.

O senador afirmou ainda que pretende discutir a criação de uma comissão parlamentar para acompanhar as negociações e buscar uma solução diplomática para o impasse comercial, apostando na tradição brasileira de diálogo nas relações internacionais e na atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas tratativas com os Estados Unidos.

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