Fala de Zema sobre Nordeste dificultou a aprovação de frente Sul-Sudeste

    Apesar disso, ele enfatizou que Zema foi “mal interpretado”

    Foto: divulgação Partido Novo

    A fala de Romeu Zema (Novo) sobre unidades federativas do Nordeste serem “vaquinhas que produzem pouco” tornou mais difícil a aprovação da adesão de São Paulo ao grupo. A consideração foi feita pelo presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, em discurso na abertura do encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), na capital paulista.

    Apesar disso, ele enfatizou que Zema foi “mal interpretado” e exaltou o papel dos deputados paulistas que, mesmo diante da dificuldade, conseguiram aprovar o texto. O mesmo se deu nos demais Estados que participam do Cosud, possibilitando a formalização do grupo. Além de André do Prado, e de Zema, falaram na abertura o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), a vice-governadora Maralisa Boehm, e os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    “Queria dizer que por algum momento esse projeto tramitou na Assembleia, eu acharia que seria uma votação tranquila diante da importância desse instrumento jurídico para alinhar os Estados do Sul e Sudeste e infelizmente isso não aconteceu na Assembleia. Foi um debate intenso, diante de uma pronúncia do nosso governador Zema em Minas gerais que foi mal interpretada. Todo nós sabemos que foi mal interpretada e todos nós sabemos a intenção do nosso governador Zema, que era integrar todos esses Estados”, argumentou André do Prado.

    Em agosto, em entrevista ao Estadão, Zema anunciou a criação da frente Sul-Sudeste para disputar protagonismo com o Nordeste. Na ocasião, chamou os estados da região de “vaquinhas que produzem pouco”. Isso gerou uma enorme reação de governadores e políticos do Nordeste e forte crítica nas redes sociais.

    “Sul e Sudeste vão continuar com a arrecadação muito maior do que recebem de volta? Isso não pode ser intensificado, ano a ano, década a década. Se não você vai cair naquela história, do produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito. Daqui a pouco as que produzem muito vão começar a reclamar o mesmo tratamento. É preciso tratar a todos da mesma forma”, disse Zema na entrevista ao Estadão.