Em desabafo, Carlos Fernando, pai do jovem Danilo Santos, morto durante uma operação policial realizada na madrugada do último sábado (24) no bairro de Santa Cruz, no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, afirmou, ao bahia.ba, que a família não tem recebido qualquer tipo de suporte ou assistência das autoridades do Estado, da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) ou da Corregedoria da Polícia Militar. Ele também rebateu as acusações da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), que afirmou que a ação foi derivada após um ataque de homens armados na localidade.
Abalado, o pai do jovem contestou o tratamento dispensado ao caso pelas instituições e expressou a indignação da comunidade com a perda do filho e com o que classificou como uma tentativa de manchar a imagem de um jovem trabalhador.
“Do Governo e nem da Segurança Pública a gente não está tendo suporte nenhum. Da parte da polícia, da Corregedoria… nenhum suporte. Eu gostaria muito de ser ouvido. A população também está muito indignada com isso, porque eles assassinaram o meu filho e mancharam a reputação dele”, desabafou Carlos Fernando.
Segundo relatos da comunidade, o jovem foi alvejado pelas costas quando retornava de uma festa de aniversário na Rua Emídio Pio e não possuía qualquer envolvimento com o crime organizado.
Atuação comunitária e apelo por justiça
Carlos Fernando destacou que Danilo era amplamente conhecido na localidade por sua conduta e pelo engajamento em projetos sociais voltados a crianças, jovens e adolescentes na região de Santa Cruz, onde atuava ao lado do pai promovendo atividades comunitárias e escolinhas de futebol.
“Todo mundo aqui sabia a índole do meu filho, sabia que ele trabalhava e que me ajudava no projeto social que eu tenho com as crianças, jovens e adolescentes”, pontuou. “A população aqui sabia a vida toda do meu filho, porque conheceu o Danilo desde pequenininho”.
Morte durante operação
Danilo foi morto a tiros na madrugada do último sábado (24) quando retornava de uma festa de aniversário na Rua Emídio Pio. Segundo relatos de amigos e familiares, o jovem de 25 anos não possuía qualquer envolvimento com o crime organizado.
A Polícia Militar informou que equipes do 30º BPM realizavam patrulhamento na localidade de Emídio Pio quando foram surpreendidas por cerca de 15 homens armados que efetuaram disparos contra as guarnições, desencadeando um confronto.
Testemunha relata disparos e afirma que jovem estava rendido
Em relato gravado sob condição de anonimato, uma testemunha apontou que a guarnição policial teria chegado ao local efetuando disparos contra um grupo de jovens por volta das 23h30. Na ação, além de Danilo, uma jovem grávida e o namorado dela também foram atingidos.
“A viatura chegou atirando. Os meninos se assustaram com os tiros. Danilo foi baleado nas costas e moradores ouviram ele falar que era morador e inocente”, afirmou a testemunha anônima. “Temos imagens dele no chão rendido. O policial disse que daria socorro e pediu o celular dele, mas ele foi colocado no camburão como se fosse um lixo. Tempos depois, ouvimos diversos disparos dentro do Parque da Cidade”, completou.


