Especialista alerta para riscos do PMMA em procedimentos estéticos

    Farmacêutica esteta Karine Andrade explicou ao bahia.ba os riscos do uso da substância em preenchimentos corporais

    Foto: bahia.ba

    A farmacêutica esteta Karine Andrade alertou sobre os riscos do uso do polimetilmetacrilato, o PMMA, em procedimentos estéticos. Em entrevista ao bahia.ba, a especialista destacou que a substância é permanente e pode provocar complicações graves mesmo anos após a aplicação.

    “É, a grosso modo, derivado de um plástico. Então, tem seus riscos e ele nunca vai sair. A partir do momento que a gente coloca no nosso corpo aquele produto, ele vai se entranhar dentro do músculo”, afirmou.

    Karine também comparou o PMMA ao ácido hialurônico, substância absorvível pelo organismo e que pode ser dissolvida com o uso de hialuronidase em casos indicados. Já o PMMA não é absorvido pelo corpo e sua retirada pode exigir intervenção cirúrgica.

    A especialista chamou atenção ainda para o fato de que as complicações relacionadas ao PMMA podem aparecer de forma tardia.

    “Tem gente que coloca e não dá nada. Mas, quando dá, dá muito problema. Vem necrose de tecido, granuloma, inflamação, embolia, insuficiência renal. Eu chamo sempre assim: uma bomba-relógio”, alertou.

    A Anvisa classifica os preenchedores à base de PMMA como dispositivos médicos de alto risco e afirma que a substância não é indicada para procedimentos com finalidade meramente estética ou para aumento indiscriminado de volume corporal. O órgão mantém autorização para usos corretivos específicos.

    Casos famosos chamaram atenção para o PMMA

    Um dos episódios mais recentes envolve a repórter Ju Massaoka, que em maio de 2026, ela revelou que descobriu ter PMMA no nariz durante uma cirurgia, após a substância ter sido aplicada anos antes sem o seu conhecimento. Segundo a jornalista, a presença do material provocou complicações e risco de necrose, exigindo reconstrução da região.

    Outro caso conhecido é o de Andressa Urach, que enfrentou graves complicações após aplicações de hidrogel e PMMA nas pernas. A apresentadora chegou a ser internada em estado grave e passou por diversos procedimentos para retirada das substâncias. No caso dela, porém, os episódios mais graves foram associados principalmente ao hidrogel, embora também houvesse resíduos de PMMA.

    Para Karine, o caráter permanente da substância é justamente um dos principais pontos de atenção. “Vale a pena por estética? Eu acredito que não vale”, concluiu.

    Confira a entrevista completa: